quinta-feira, 17 de dezembro de 2020
E agora? Quem poderá nos defender?
E agora? Quem poderá nos defender? Com certeza não será o Chapolin Colorado. Apesar de ser um super-herói do terceiro mundo, que representa muito bem as nossas condições, nem ele poderá nos salvar do buraco atual em que estamos metido. Depois do anúncio na semana passada, do início da vacinação no mundo, agora todos os países estão correndo contra o tempo para começar a imunização. Todos menos o Brasil. Estamos atolados com um presidente negacionista, que tripudiou da pandemia, não fez nada a seu alcance para comprar os insumos ou trabalhar em um plano de proteção e ainda quer impedir os Estados de tentarem salvar sua população com iniciativas particulares. Esqueci alguma coisa?
O diplomata americano, secretário de Estado dos Estados
Unidos na época de JK, John Foster Dulles, dizia que um país não tem amigos, tem interesse. E
parece que o interesse do presidente é pela reeleição e não cuidar dos
brasileiros. Todas as ações do mandatário maior, foi desacreditar na pandemia e
tentar ao máximo barrar ações para isso. Ele hoje diz que foi o melhor
presidente do mundo contra a doença, focando na economia. Minimizou desde o
início o vírus, enquanto a proteção coube aos governadores e prefeitos, que
fizeram suas contenções particulares sem a anuência do Ministério da Saúde, que
desde o início, teve dois ministros e um período sem Ministro justamente no
auge da primeira onda da doença.
“Gripezinha”, "Tem a questão do coronavírus também que,
no meu entender, está superdimensionado, o poder destruidor desse vírus"
ou "Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não
precisaria me preocupar”, foram algumas das primeiras frases do presidente
querendo minimizar a doença. Passava o tempo sem máscara, produzindo
aglomerações por onde passava, promovendo atos antidemocráticos, apertando a
mão de apoiadores, mesmo tendo COVID.
Diferente de muitos, tenho respeito pelo Corona. Uso máscara
até pra buscar carta na portaria, não aglomero e a mão fica até com textura
diferente de tanto álcool gel. Mas também, assim como muitos, cansado, estou cansado. Quero ficar na praia
até a hora que quiser, quero voltar aos shows, quero voltar para a cultura. Mas
falta pouco. Temos que aguentar.
Apresentaram um plano nacional de vacinação... Porém... Esse
mesmo plano nacional de vacinação tinha assinaturas falsificadas de 36
pesquisadores. O plano também não tem data de início, exclui segmentos
vulneráveis dos grupos prioritários e não cobre nem 25% da população. Isso sem
falar, que não Não tem algodão, não tem seringa e a indústria precisaria de
alguns meses para produzir essa demanda. Já não tem seringa nem para coleta de
sangue pelo SUS, o básico para qualquer exame técnico de um médico, quanto mais
comprar um freezer para estocar a vacina da Pfizer que necessita de regulagem a
-80º. Não dá para usar um isoporzinho. Isso
tudo embalado, pela divulgação em grupos de Whatsapp, por grupos de apoiadores
do presidente, soltando impropérios em relação à vacina. Resumindo: parte
de brasileiros acham mesmo que a vacina
chinesa pode alterar seu código genético e produzir câncer. Já existe um grupo enorme de pessoas
não querendo mais se vacinar. A luta parece do século passado.
Muitos continuam acreditando em promessas. Parece que não
ficaram adultos. Só bobos grandes.
Revista da ESPM
Foto
Noel
Spotify
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
Esperando sentado pela vacina
O ano está terminando e aquele sentimento de abraçar o próximo começa a aflorar nas pessoas. Beto Guedes fez todo sentido: "Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois". Vai ser muito duro passar por 2021 sozinho. Devemos cruzar os dedos para que a aposta da Inglaterra, de vacinar na próxima terça-feira, dê certo, porque se ela falhar, o mundo vai desenvolver uma crise de ansiedade que vai evoluir para uma crise de pânico.
Ontem, em conversas com amigos, já projetando quando seria
uma volta viável para futuros abraços reais, afinal somos um povo abraçante, já
calculava mentalmente nossas possibilidades a partir da vacina na Inglaterra. A
indústria precisa de 10 meses para fabricação de insumos da vacina para toda
população, logística de distribuição e acondicionamento para todas as regiões e
passar por um programa de prioridades. Lembrando que nosso presidente negacionista e contrário a vacinação, faz
todo possível para usemos a Cloroquina estocada. Afinal, já deveríamos ter um
plano nacional de vacinação pronto e ainda nem pensamos nisso.
São Paulo, que politicamente está fazendo de tudo para que
seu Estado consiga fazer um plano estadual de vacinação, independente do que
decidia o Governo Federal. Está querendo entrar na corrida mundial pela
imunização, mesmo havendo já uma classe social querendo burlar as prioridades
do programa. Sim, a diferença entre o Brasil e o Reino Unido é quem terá
prioridade na fila da vacina. Os
promotores de São Paulo solicitaram prioridade para tomar vacina, enquanto a
rainha Elizabeth (94 anos) e o príncipe Philip (99 anos) vão esperar na fila. Até
o Primeiro Ministro Boris Johnson terá que esperar sua vez. E já posso elucubrar que os promotores vão pedir para
serem imunizados, junto com seus pares, filhos, pais, avós, cachorro e papagaio.
Em Moscou, grupos de risco para a Covid-19 já começaram a
ser vacinados no sábado com a Sputnik V. Setenta centros de vacinação foram
inaugurados na capital russa para esse fim. Logo logo, veremos mais países não
ficando para trás e ao longo do ano de 2021, veremos todos trabalhando para o
fim, enquanto os brasileiros ficarão observando com uma lágrima escorrendo no
canto do olho. E isso pode piorar, afinal, qual o país que vai aceitar um país
não imunizado. Já somos párea no mundo e nos tornaremos pior. Existe um patamar
mais abaixo? E em breve, o mundo estará dividido entre vacinados e não
vacinados, tal qual a antiga divisão geográfica entre países ricos e
subdesenvolvidos.
O Reino Unido encomendou 40 milhões de doses da vacina, o que
dá conta de 20 milhões de pessoas. O curioso é que o próprio Reino Unido, país
de origem da vacina de Osford, não vai aplicá-la nos ingleses, mas vai comprar
a vacina americana do Laboratório Pfizer, a melhor do mundo.Enquanto o Brasil,
que não quer a vacinação e tenta politizar colocando entraves possíveis contra
a vacina chinesa, a melhor opção que vislumbra o general Pazuello é a vacina de
Oxford.
Parece que teremos que nos contentar, por enquanto com a água
consagrada milagrosamente das trombetas de Gedeão para cura dos enfermos. O ano
de 2021 está chegando e vemos pela frente uma Inflação crescente, desemprego em
alta, fim do auxílio emergencial, paralisia política e epidemia fora de
controle. Somos sempre “aprés lui, le” ou melhor “Face the music”.
Boa sorte para quem não nem vacina, nem insumos para vacinar,
nem governo para organizar.
Marielle Vive
quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
O último tango de Maradona
Qual o tamanho do ídolo? É uma projeção individual ou coletiva? Alcançar a imortalidade na cultura popular seria a dimensão deste ídolo? O que dizer de Maradona? Um ídolo que se eternizou. Um furacão enquanto vivo, ou melhor, para os italianos do Napoli, um Etna ativo. Um dia antes da sua partida, o apresentador Fernando Vanucci tinha nos deixado. A grandeza de sua importância foi dada por homenagens na TV e na imprensa. No dia seguinte, foi a vez de Diego. E estamos falando sobre ele até agora, quase uma semana depois. E provavelmente ainda mais um tempinho, já que nem sua morte foi simples. As acusações de negligência na prestação de socorro ao ídolo estão sendo levantadas como homicídio culposo.
O Futebol perdeu Maradona. Nós perdemos Maradona. A dimensão
vai ser medida como? Como toda imprensa destacou? Como o lide “Deus está
morto”, do jornal L'Équipe, da França.
Mas talvez pela frase escrita na Argentina, onde o técnico Guardiola tinha
lembrado, estava escrita: “Não importa o que você fez na sua vida, Diego;
importa o que você fez com as nossas.” Quando aparecem homenagens anônimas
eternizadas em muros é que elas estão calcificadas nos corações das pessoas.
Duas imagens carimbam essa teoria. Uma, de dois torcedores abraçados chorando,
um do River e outro do Boca, mostrando como Maradona era gigante, maior do que
qualquer guerra. Outra, a Itália inteira de luto, mesmo sabendo que a rivalidade
entre Norte e Sul do país é histórica. Certa vez o Etna entrou em erupção,
ameaçando a Sicília e um jornal em Milão escreveu: “Forza, Etna”. No entanto,
neste momento de luto, Maradona uniu o país.
Em outro momento, Maradona falou que se fosse encarnar,
gostaria de voltar como Maradona, e que se arrependia de ter tido poucos
momentos com a família. O número de
haters também era grande. Não conseguimos separar o ídolo do ser humano. Isso
faz com que muitas mulheres se recusem a glorificar sua história, Como o caso
de Paula Dapena que se recusou a fazer um minuto de silêncio em Napoli, devido
aos casos de abusos contra elas, assim como todos os direitistas invocam o
moralismo, dizendo que sua história era manchada por causa das drogas, para
justificar seu ódio contra suas preferencias políticas, afinal, era fã confesso
de Fidel Castro. Estamos mudando o mundo, e existirá o ideal de homem e mito no
futuro. Estes homens do passado estão
desaparecendo, mas seu legado ficará. Ainda falamos de Leonardo da Vinci quase
500 anos depois e falaremos de Maradona daqui a 100 anos.
Vamos exaltar, sim, aquele que foi um gênio em campo.
Exemplo de garra e que teve o mundo em suas mãos, mesmo sucumbindo diante dele
por seus próprios vícios. Era uma pessoa dependente, um homem do século
passado, com excessos de machismo, mas também tinha o lado humanitário, que
ajudou crianças em estado de penúria, alegrou uma nação e despertou paixões.
Uma face não anula a outra. Mas é hora do luto, da homenagem ao craque e
respeito à família. Um jogador de futebol que pode tocar com o Queen, não é
qualquer um.
Maradona sempre demonstrou com muita ênfase suas alegrias e
tristezas. Chorava copiosamente com homenagens ou quando o Boca perdia. A
despedida do jogador conseguiu acabar com o maior lockdown da história, com aglomeração desenfreada. E
para encerrar, sendo o único que tem uma igreja que o reverencia no mundo,
deixo a oração Maradoniana para dias melhores:
"Eu acredito em Diego
Futebolista Todo Poderoso,
Criador de magia e paixão.
Eu acredito em penugem, nosso D10s, nosso Senhor.
Que foi concebido por obra e graça de Tota e Don Diego.
Nascido em Villa Fiorito.
Ele sofreu sob o poder de Havelange.
Foi crucificado, morto e mal tratado.
Suspenso das quadras.
Cortaram-lhe as pernas.
Mas ele voltou e ressuscitou seu feitiço.
Estará dentro de nossos corações.
para sempre e na eternidade.
Eu acredito em espírito de futebol.
A Santa Igreja Maradoniana,
O golo para os ingleses,
A canhota mágica,
A eterna gambetta diablada,
E em um Diego eterno.
Diego."
Não seja uma cabeça de garrafa térmica e não deixe a
tartaruga escapar. Se fosse eu, mudaria o nome do Argentinos Juniors
para Maradona Futebol Clube.
Agora também em Podcast
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
Reflexões sobre as urnas
Como disse um amigo, a abstenção venceu as eleições para prefeito de várias cidades. Podemos falar que a pandemia afastou vários eleitores dos locais de votação ou que a insatisfação com o modelo atual de governo, levou a um comportamento de protesto. Em algumas capitais pelo Brasil, o número de abstenção foi maior que o primeiro lugar, ou a soma dos segundo e terceiro lugar. A verdade é que contando abstenção, brancos e nulos, temos um número muito grande de eleitores tentando mostrar uma insatisfação com o modelo oferecido atual e com os candidatos que não trazem identificação com uma massa grande de votantes. As abstenções no Rio de Janeiro, tiveram 1.590.876 votos (32.79%), podia até concorrer com o Eduardo Paes no segundo turno.
O grande recado, que muitos aguardavam das urnas, foi o
descontentamento com o governo Bolsonaro. Já que protestos e aglomerações estão
negadas por causa da Pandemia, essa voz das ruas foi declarada pelo voto. A
maior parte do apoio que o presidente deu para seus candidatos, foi por água
abaixo ou com o santinho indo para o bueiro. A despeito do aumento de candidatos
da ultradireita aparecerem e representar essa parcela da população, tiveram
felizmente um recado das urnas. Mas não dá para relaxar, afinal tiveram fôlego
suficiente para destilar ódio, também continuarão tentando em 2022. Ao mesmo
tempo, vemos a polarização entre candidatos de extrema direita e esquerda,
dessa vez, aparecendo o PSOL. Enquanto o Rio de Janeiro amarga suas decisões
sempre dando tiro no próprio pé, São Paulo brilha com a chegada de Boulos para
o segundo turno.
Outra novidade e avanço, foi a inserção das vozes de
minorias LGBTq+. Vozes sempre esquecidas nas câmaras, vimos a conquista nos
votos que aumentaram não só delas, como das mulheres e negros. É o início de
uma grande onda que vai possivelmente trazer novas inserções na sociedade. Nomes
de LGBTq+ estão surgindo com força pelo Brasil. Em Aracajú, Linda Brasil é a
candidata a vereadora mais votada. Em Niterói, temos a força da incrível Benny
Briolly, apoiada pela outra incrível Talíria Petrone. O que dirá de Erika
Hilton em São Paulo? Não podemos esquecer de Duda Salabert em Belo Horizonte,
uma das prças mais conservadoras no Brasil. Quebra de paradigmas em outras
regiões como a professora Carol Dartora que é a primeira mulher negra
eleita vereadora em Curitiba. Todas eleitas com votações muito expressivas,
mostram o desejo da sociedade por mudanças neste momento.
Eduardo Suplicy é o vereador mais votado do país, com mais
de 167 mil votos; Tarcísio Motta que na eleição passada, ficou atrás de
Carluxo, agora desponta como o vereador mais votado no Rio de Janeiro. As urnas
demonstram claramente o desejo de mudança. O modelo negacionista de Bolsonaro
durante a pandemia, perto das eleições, desinchou e derreteu o modelo
truculento e fascista. E tal qual os Estados Unidos, que defenestrou esse
modelo tirando Trump do poder, cria a segunda onda no Brasil. E será muito
evidente na próxima eleição, se o Brasil ainda estiver de pé. A estratégia
nesse momento da direita, é se considerar de centro apaziguadora, se descolando
de Bolsonaro e tentando se mostrar também conciliadora.
Outro ponto, foi o congestionamento para justificar a
ausência na eleição, via aplicativo, que conseguiu congestionar o sistema,
deixando muita gente sem conseguir dar um só clique a mais. Outros dizem que
houve hackeamento do sistema. Mas, assim como Trump, são sempre os mesmos os
que investem na desqualificação do sistema eleitoral. Oportunistas ou derrotados.
O sistema é íntegro e as urnas não estão em rede.
Todas essas contemplações criativas, que antes teria feito
em um carro no engarrafamento, em dia de eleição, foram feitas na corrida pela
praia, com máscara e as mãos cheias de álcool em gel.
Ajudem na campanha coletiva do Codinome Boto nº2
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
Bye, bye Trump
Biden não pode afrouxar a gravata ainda. Trump, o menino mimado fascista, não quer largar o osso. Como pode alguém achar que menosprezando a pandemia, deixando mais de 200 mil pessoas morrerem e incentivar Cloroquina e outros produtos não comprovados pela ciência para população tomar, sendo que, quando ficou doente, teve a disposição, os tratamentos mais sofisticados do mundo e achar que vai ser reeleito? Por mim, só ter trancafiado as crianças latinas por meses sem os pais, já seria o motivo suficiente. Mas não dá para ter essa convicção, pois a vitória não foi tão acachapante, ou seja, pelo menos quase metade dos EUA concordam com as atitudes de Trump e se Biden quiser pacificar a América, terá que demonstrar o quanto isso não é correto ou sucumbir a alguns desejos da extrema direita. Vamos ficar de olho.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS),
Tedros Adhanom, parabenizou a Joe Biden pela vitória nas eleições presidenciais
dos Estados Unidos, assim como vários líderes mundiais, inclusive aqueles de
extrema-direita. Mas Adhanom estampa um sorriso na cara, justamente por que
teremos uma política de combate a pandemia nos Estados Unidos. Agora haverá
proteção e crença na ciência. Não ficará por aí também. A ecologia será tema central,
além de obtenção de energia renovável. Essas indicações de mudança de postura,
já aliviam um pouco a tensão que o mundo estava com o Trumpismo e o clima de
terror e estressante no planeta e os consequentes duelos entre direitos humanos
e fascismo.
Devemos atentar que estamos comemorando a vitória da direita
americana em detrimento da extrema-direita americana. Isso é importante de se
dizer, pois, apesar dos democaratas terem um lado social mais acolhedor, não
vai deixar de ser imperialista. Vão continuar bombardeando outros países,
invadir democracias e rapinar suas colônias. Mas a seriedade da extrema-direita
no poder americano, estava estimulando não só outros dépotas ascendendo ao
poder, como as pessoas estavam se espelhando nesse modo de ser, achando que o
correto são os valores fascistas. Agora, a população se mobilizou como nunca
antes no país e deram um basta a repressão aos negros, aos assédios femininos,
ao encarceramento de latinos, a discriminação as minorias e liberdade a
cultura. Todos esses setores que antes não votavam (pois a eleição não é
obrigatória), compareceram às urnas e querem ter voz ativa na política, criando
novas lideranças. Extrema-direita não combina com democracia.
A grande surpresa foi Kamala Harris. A primeira mulher vice-presidente
nos EUA. Um feito e tanto. Levará consigo não só a alegria e feminidade, mas a
bandeira social, representatividade aos negros e a luta pelo Obamacare. Mas
acima de tudo, é uma inspiração.
Inspiração no presente e no futuro do país. Na câmara e no senado, os
democratas também tiveram vitórias importantes e emblemáticas. Serão 25% de
mulheres, o que já é histórico e fruto de uma construção de base e de muitos
movimentos de mulheres que dão suporte as campanhas femininas. O que dizer de Sarah
McBride, a primeira transexual eleita senadora estadual nos EUA? O
ineditismo vai além, com uma congressista ativista do movimento Black Lives
Matter, uma alinhada ao movimento QAnon, um negro homoafetivo e um rapaz de
apenas 25 anos. Que cores podemos esperar nesse novo ciclo? Com certeza avanços
sociais importantes que vão reverberar no planeta.
E o fascismo acabou? Vai voltar para as sombras? Não
amiguinho. O projeto do fascismo vislumbrou possibilidades com Trump,
Bolsonaro, Sebastián Piñera e líderes na Espanha, Alemanha e Holanda. A
truculência está sem cortinas. Achar que levar vários homens fortemente armados
com cédulas de votação falsas ou jogar um ônibus da campanha de Biden para fora
da estrada e no final, ouvindo de Trump: "esses patriotas não fizeram nada
de errado". Achar isso normal e lícito é ter que rever suas atitudes no
mundo atual.
Trump perdeu e acha que ganhou ou melhor quer fazer
acreditar que ganhou, assim como fez no comando da presidência. Só tenho uma
coisa para falar: VAI CHORAR AGORA FORA DA CASA BRANCA, TRUMP!
quinta-feira, 5 de novembro de 2020
Todo dia, é dia de halloween
Curumim, chama Cunhatã que eu vou contar. Antes, tínhamos apenas o dia 31 de outubro para festejar os mortos e climas de terror, mas agora, com nosso governo, o governo americano, a pandemia, o fascismo crescendo e crimes contra minorias saindo do armário, vemos que não há aprendizado dos erros, mas apenas o terror instaurado. O movimento Black Lives Matter nasceu da truculência ariana do governo Trump contra a comunidade negra. O movimento se espalhou pelo mundo. Um movimento importante mostrando que essa desigualdade é acentuada pelos policiais fascistas, mas mesmo assim, todos os dias seja na rua ou nasredes sociais, racistas promovem uma overdose de ódio sem parar. Recentemente, o rapper Travis Scott deletou a sua conta do instagram, após ter recebido comentários racistas por utilizar uma fantasia do Batman durante o Dia das bruxas. Mas, segundo o dicionário bolsonarista, o movimento negro é uma Organização formada por pessoas (de cor) ressentidas que se dedicam a promover o racismo reverso na sociedade; grupo de pessoas (de cor) que não se colocam em seu devido lugar.
Curumim, chama Cunhatã que eu vou contar. O final de semana
de feriadão da equipe de Bolsonaro e Flávio, rendeu frutos maléficos. São como
gafanhotos por onde passam. Promovendo destruição e atos moralmente
degradantes, isso com aplausos do bolsonarismo pelo Brasil, que vê qualquer ato
do presidente uma benção divina. Fernando de Noronha, o paraíso intocado, que
trabalha em prol de um refúgio da natureza e equilibra todo um ecossistema,
está ameaçada pelos destruidores do governo. Vão liberar a pesca de sardinha
para uma meia dúzia de pescadores bolsonaristas, CONTRA o parecer técnico do
ICMBIO, que já falou que não dá para ter pesca predatória na
região, que ainda por cima vai estimular clandestinamente outras pescas. Fora,
os insultos de Salles ao Maia na região e pedido de reembolso da viagem paga
pelo senado, pelo Flávio Bolsonaro. Depois de destruir a Amazônia e Pantanal,
as armas estão voltadas para Fernando de Noronha. Mas, segundo o dicionário
bolsonarista, PATRIOTA é aquele que apoia a privatização ou a venda de empresas
estatais e de riquezas naturais para grupos estrangeiros.
Curumim, chama Cunhatã que eu vou contar. O desprezo pelas
funções que conduzem hoje no governo, onde não se importam com nada, apenas
dinheiro e poder parece uma regra. O presidente de um dos mais
importantes conselhos do governo federal, Nívio de Freitas Silva Filho,
conduziu a reunião completamente bêbado. Não se importou se havia câmeras
filmando a reunião, reclamou de seu salário de R$ 42 mil, mesmo com temas
importantes a serem tratados. E parece que muitos não se importam mais com
atitudes desde moralmente ruins ou até atitudes criminosas, pois a certeza de
impunidade está no ar. Um empresário arrastar uma pessoa amarrada ao carro até
a morte é defendida pelo seu advogado como pessoa de bem. Mas, segundo o
dicionário bolsonarista, o CIDADÃO DE BEM é o homem branco, hétero e de classe
média que defende o porte de armas e a sonegação de impostos.
Curumim, chama Cunhatã que eu vou contar. A eleição
americana pode definir o rumo que o mundo vai tomar e consequentemente o que o
Brasil vai dotar também. Se escolherem o Trumpismo para continuar a seara de
ódio e devastação, por aqui assim teremos também. Se escolherem Biden, onde
ativistas estão levando eleitores que nunca votaram na vida, estarão dando uma
trégua nas mortes e destruição por um tempo e cuidarão do realmente importam: A
saúde das pessoas. Por aqui, depois da devastação imposta pelo presidente, nada
restará se não lágrimas e a certeza de que temos que levar esses dois
presidentes genocidas para Haia. Mas, segundo o dicionário bolsonarista, o
ESTADOS UNIDOS é um País exemplar para onde todos os brasileiros querem se
mudar um dia. Terra da liberdade em que as leis funcionam e a segurança impera
porque os cidadãos de bem podem andar armados.
Nesse dia de finados, lembro das pessoas que se tornaram
números nesta pandemia. 160 mil. A morte de cada uma delas deve doer fundo no
nosso país. Portanto, o brasileiro que aqui gorjeia, deve ter dentro de si,
manter a esperança de dias melhores. Afinal, depois da tempestade, vem sempre a
bonança.
quinta-feira, 29 de outubro de 2020
42º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog
ASHBA - Let's Dance ft. James Michael
Vem vacinação, sua linda!
Quando foi que nos tornamos um país pró idade média? Com feudalismo e práticas de acentuação das classes sociais, a igreja dominando o pensamento popular para legitimar ideologias messiânicas, pseudocientíficas, reacionárias e extremistas de natureza política, étnica, religiosa, social e cultural. Esse período de quarentena, deveria ser um tempo de reflexão sobre atitudes pessoais e com o próximo. Deveria ser um momento, em que poderíamos pensar que a tecnologia avançou a tal ponto que estamos unindo as nações em prol de um bem comum. Todos estamos envolvidos em criar uma vacina eficaz, sob o ponto de vista científico, que realmente nos livre dessa doença altamente contagiosa e letal. E será um exemplo, pois novas cepas podem acontecer em algum tempo.
A vacinação é realmente uma esperança de um mundo melhor.
Nunca foi importante a sua nacionalidade e sim se o laboratório que fabrica é
confiável, se os resultados estão dentro do padrão da OMS, se tem comprovação
da comunidade científica pelo mundo. A onda que politiza a vacina é
completamente torpe e sensacionalista. Muitos dos que se voltam contra a vacina
chinesa, usam produtos que vem da China. Até a vacina da gripe, que tomam todo
ano, vem da China. Politizar a vacina, diz mais sobre quem o faz do que sobre o
tema em si. E no futuro, irão ler sobre como o Brasil foi o país do atraso e
que a revolta da vacina aconteceu décadas depois, no governo Bolsonaro. Devemos
pensar que é por meio do resgate do passado que se dá o presente, e a conexão
dessas duas épocas que o nosso presente se reorganiza. Mas com o negacionismo,
isso não é possível.
Um filósofo que gosto bastante é o Walter Benjamin. Para
Benjamin, devemos impedir que haja esquecimento do passado, para evitar a
barbárie ou a perda da memória. Sua visão parte de um princípio do resgate da
memória e a reconstrução de experiências significativas do passado. Diz ele:
“Pois qual o valor de todo o nosso patrimônio cultural, se a experiência não
mais o vincula a nós? A horrível mixórdia de estilos e concepções do mundo do
século passado mostrou-nos com tanta clareza aonde esses valores culturais
podem nos conduzir, quando a experiência nos é subtraída, hipócrita ou
sorrateiramente, que é hoje em dia uma prova de honradez confessar nossa
pobreza. Sim, é preferível confessar que essa pobreza de experiência não é mais
privada, mas de toda a humanidade. Surge assim, uma nova barbárie”.
O negacionismo que leva Brasil e Estados Unidos ao topo dos
infectados e mortos, se trata de genocídio. E não bancar a vacina mais
promissora neste momento é impedir um valor essencial a saúde da população. Deu
novamente a atribuição ao Estados, que são os responsáveis por conter a
pandemia em cada local e mais uma vez, será responsabilidade deles imunizar a população.
Até porque, em breve, para entrar em algum espaço público ou provado, deverá
ser mostrado um selo ou comprovação de vacinação. Evidentemente, que o grupo
bolsonarista, não vai querer ser vacinado e, por tanto, concordo com um colega,
que sou favorável a vacinação surpresa de todos, via zarabatana ou quem sabe, convocar
Papai Noel para promover vacinação em shopping centers.
Falando em Walter Benjamin, li uma história certa vez, não
me lembro aonde, que ele falou em um de seus livros, que é assim. Um grupo de
judeus está numa taberna, bebendo e se divertindo. Todos conhecidos, menos um
cara triste sentado num canto, com camisa fina sentindo muito frio. Em certo
momento, alguém pergunta o que faria se recebesse um desejo mágico. Uma fala
que queria muito dinheiro, o outro um genro rico, outro quer posses para seus
negócios e no final, o homem com frio se manifesta. Ele queria ser um rei
poderoso de um grande país, que fosse invadido por um país inimigo. O reino
seria aniquilado e que seria obrigado a deixar o castelo para salvar a vida,
sem levar nada, somente um casaco, que pegaria na corrida antes de pular da
janela. Que errasse o caminho até chegar na taberna, onde entraria e sentaria
naquele canto. Todos se entreolham e se perguntam para que esse desejo
estúpido?
- Eu agora teria um casaco. – Responde o desconhecido.
Afinal, quando os negacionistas da ciência se darão conta
que sentirão falta de seus casacos?
quinta-feira, 22 de outubro de 2020
Cadê a voadora em Chico Rodrigues?
Presidente, cadê a voadora em Chico Rodrigues? Aliás cadê a voadora na esposa? Cadê a voadora nos filhos? Cadê a voadora em seus amigos e vizinhos? Cadê a voadora? Todos já sabiam que os parâmetros do presidente são suspeitos. Ele pode falar que fez o que todos no seu governo fazem, que é escolher os dados que lhe convém. A vergonhosa situação em que Chico Rodrigues foi pego, é um retrato fiel do governo. "Quase uma união estável", disse Bolsonaro ao senador Chico Rodrigues, vice-líder do governo no Senado, que tem uma ficha imensa de problemas com a justiça por corrupção. O problema é que essa situação não é uma gota no oceano e sim modus operandi.
Sempre vão existir aqueles defensores que estarão de
prontidão. Justificando o injustificável. Dirão eles que o mito falou algo que
o senador não compreendeu, como: Chico, leva esse dinheiro no TCU. E eis que Chico
Rodrigues respondeu: Onde? Não foi culpa do presidente, a corrupção estar ao
seu redor 24hs por dia. Ele nunca faz nada para esses eleitores de plantão. E
digo e afirmo, é verdade. Ele não fez nada durante 25 anos como deputado
federal. Apenas algumas poucas leis beneficiando o exército.
Agora, com a virada de jogo com Biden na frente nos EUA e a
vitória acachapante de Arce nas urnas na Bolívia, dando vitória para o
candidato de Evo Morales. O golpe nos países latino americanos pela extrema
direita e chancelados pelos Estados Unidos, tem curta duração. E foi assim até
onde os americanos tentaram introduzir uma democracia nos países árabes que
saqueou. Não se sustenta a longo prazo. O problema é lapidar o que for possível
nesse curto espaço de tempo por todos os larápios envolvidos.
Chico Rodrigues, não só nos constrangeu com seu ato
explícito, como mostrou várias facetas do nível do nepotismo da família
Bolsonaro, quando o sobrinho do presidente é empregado como assessor do
senador. Léo índio, primo de Carlos Bolsonaro, tem um dos mais altos salários
do senado, sem justificativa para tal. Sem nos esquecermos de que fez a
campanha para colocar o outro filho, o Eduardo, como embaixador do Brasil nos
EUA à força. Como um homem tão próximo, não representa as aspirações do
mandatário maior? Mas a história é implacável.
A pergunta que não quer calar: O presidente não tinha
acabado com a Lava-Jato, porque não existia mais corrupção em seu governo? Diriam
que foi um caso isolado, um deslize. Quando você olha a situação do senador,
descobre que empresas ligadas a Chico Rodrigues tem R$ 2,3 mi em contratos com
governo Bolsonaro. Daí vemos argumentos frágeis na defesa do presidente. Muitos
governantes caíram por bem menos, por isso, devemos observar aqueles que estão
sustentando o presidente na cadeira mais importante do país. Certamente estão
ganhando com a pandemia, ganhando com a dilapidação do país e tirando todo
dinheiro de caixa possível. Se tínhamos um país que sempre teve sob domínio
americano e preso a uma dívida externa galopante e em outro momento, não só
saudamos essa dívida e aumentamos o caixa a ponto de emprestarmos dinheiro,
vamos voltar a condição de colônia?
Bolsonaro tenta tirar o corpo fora, tenta deslocar sua
imagem do senador, como um cão sarnento, mas o Diário Oficial da União não
deixa mentir. Ele foi escolhido vice-líder do governo pelo próprio Bolsonaro,
no início da sua gestão. Não foi o Senado. E esse modo de agira com seus
amigos, pode prejudicar o presidente mais à frente. Quantos ele colocou em
escanteio por simplesmente achar que pode atrapalhar sua imagem perante seu
eleitorado mais arraigado?
quinta-feira, 8 de outubro de 2020
O fiasco de Trump
Não acredito que já passamos por quatro anos de Trump no poder. Foi sofrido no mundo. A América Latina sofreu golpes em todo lugar, menos na Venezuela, pelo controle de seus bens; os direitos humanos tiveram uma baixa grande, levando a revoltas populares de igual proporção a época de Nixon, chargistas no mundo todo já fizeram dois grandes eventos chamados Trumpismo, contra o presidente americano. E mesmo assim, da mesma forma que o bolsonarismo por aqui, tem gente que ainda apoia. Claramente agressivo e um usuário contumaz de fakenews, o mandatário americano joga com tudo, não se importando com nada, apenas o resultado.
Depois de quatro meses falando que usava Cloroquina para se
prevenir contra a COVID, e fazendo o que dava na telha, sem respeitar os
mínimos padrões de segurança exigidos pela OMS, pegou a doença. Nem pensando
que fazia parte do grupo de risco, estava na idade, obeso, com vários problemas
crônicos, fez pensar que poderia ter a forma mais agressiva da doença. Como um
certo presidente latino, falava que só os fracos caiam, que acreditava mais em
fakenews do que a ciência. E a vida e o tempo ditam ao contrário. Mesmo havendo
censura nas informações oficias sobre seu estado de saúde, sabe-se que foi de
helicóptero ao hospital e que foi usado o que era mais avançado em termos de
drogas experimentais para curar o presidente, medicado com dexametasona, usado
em pacientes graves. Isto significa, meus amiguinhos, que a COVID não é uma
gripezinha.
Trump disse que “aprendeu bastante sobre a Covid-19”.
Precisava passar por isso? Isso mostra uma irresponsabilidade, tal qual nosso
presidente, sobre a questão de saúde pública. Afinal, se eu não acredito na
doença e em sua gravidade, como esperar que faça uma política de proteção a
população? Não faz sentido. Isso torna os dois, genocidas. Os dois países são
responsáveis pelos maiores números de infectados e mortos na pandemia, que
aliás, ainda não acabou. Sua postura pode mudar? Não dá para dizer. Talvez,
para mudar as eleições, possa fazer um grande plano para realmente conter a
disseminação no país, afinal, temos que levar em consideração o fato dele
querer se reeleger a qualquer custo, nem que se mostre fragilizado com a
doença.
Muitos são os apoiadores de Trump, mas sua rejeição é tão
alta quanto. E o povo americano, parece que cansou ou se desgastou com sua
imagem. Quatro anos de guerra contra a cultura, censuras, apoio a racistas,
insuflando o ódio, apoiando fakenews é um tempo muito grande, pois a população
nesse meio tempo viu o empobrecimento vertiginoso da sociedade e assistindo o
avanço da China como líder econômica, sem forças para alcançar esse título, se
tornando sua inimiga número 1 neste momento. Como se não bastasse, após debate
com Biden, Trump viu o democrata obter maior vantagem desde o início da
campanha. Aumenta também a reprovação da atuação do presidente na pandemia.
Assim como a facada no Bolsonaro, ele precisava de algo que comovesse a
população, mas o tiro foi pela culatra, afinal, a distância entre os dois
candidatos aumentou. O que também pode não dizer nada, pois entre Trump e
Clinton também foi o mesmo na reta final. Estamos de olho.
Disse que aprendeu, mas ao sair do hospital, Trump não se
emenda. Quem está infectado tem de ficar em quarentena para proteger os outros
e cuidar de sua recuperação. Mas preferiu encenar uma saída para acenar aos
seus apoiadores e colocar em risco todos a sua volta, equipe médica, que havia
dito que estava com estado delicado, mas dão alta para ele sair espalhando o
vírus e o Serviço Secreto, que agora terão que fazer quarentena por 14 dias. Queria
mostrar força, mas a verdade é que não aprendeu nada. Curioso é que os únicos
líderes mundiais que tiveram covid-19 foram Boris Johnson, Jair Bolsonaro,
Donald Trump e a presidente da Bolívia, Jeanine Áñez. Todos com as mesmas
intenções liberais, sem acreditar na ciência e se utilizar de fakenews para
suas intenções.
As perguntas ficam: Para a população Americana é cloroquina
e para Trump, dexametasona com um coquetel de proteínas aprovado pela OMS? Não
era para ele tomar desinfetante?
quinta-feira, 1 de outubro de 2020
Apertem os cintos, o Corona está ainda ativo
Como explicar para um Espanhol, que está enfrentando a segunda onda da COVID, atacando agora os mais jovens, que o Brasil decretou o fim da doença? Fim de semana com praias lotadas, aglomeração sem máscara no Leblon e aquele cidadão de bem querendo burlar as leis de fechamento de bares às 10 da noite. E como as pessoas responsáveis, que estão cumprindo à risca as restrições contra a pandemia estão lidando com tudo isso? A luta por reabrir estádios, abrir templos e no meio da doença, fechar hospitais de campanha, especializados para tratamento da COVID. Somos um povo a ser estudado mesmo.
A doença ainda não acabou e temos que viver lutando para ver
se abre estádios e escolas. A doença que continua dizimando está a solta, com
uma perspectiva longínqua de uma vacina, que por enquanto, não será preventiva.
E mesmo quando ela chegar, a turma dos que não acreditam na vacina, continuarão
o ciclo dela. Todo esse comportamento irracional, sem acreditar na ciência, nós
sempre convivemos na sociedade, sendo que dentro de ciclos. Temos um período de
racionalidade e outro período de irracionalidade, onde políticos como Trump e
Bolsonaro se sobressaem. Hoje, vivemos em um mundo de desinformação
contemporânea, que seria um paradoxo no tempo da internet.
No livro: “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”,
escrita pelo espírito Humberto de Campos, psicografada pelo médium Chico
Xavier, fala da amargura de Jesus ao observar que ainda não entendiam suas
palavras sobre o amor entre os homens. Foi quando o espírito Helil, dirigiu-se
a Jesus e disse: “Senhor, se esses povos infelizes, que procuram na
grandeza material uma felicidade impossível, marcham irremediavelmente
para os grandes infortúnios coletivos, visitemos os continentes
ignorados, onde espíritos jovens e simples aguardam a semente de
uma vida nova, nessas terras podereis instalar o pensamento cristão
dentro da doutrina do amor e da liberdade”. Mas para essa grande missão,
Jesus pediu para que fossem encarnados espíritos que precisavam muito se
redimir e consolidar a ideia de construção de um local que será o ponto de
crescimento do amor no mundo. Ele pediu, que viessem ao Brasil todos os párias,
estupradores, assassinos, criminosos de toda sorte para aqui haver essa
transformação.
Tanto espiritualmente quanto fisicamente, o Brasil foi sendo
colonizado por bandidos que Portugal exilava no Brasil, tentando se livrar
desses párias. E temos, no amago, gerações que foram educados com preconceitos
de toda ordem, conservadorismo, desigualdade social, uma elite que se acha Deus
e classes querendo ascender socialmente que querem e almejam fazer o mesmo. Isso
explica parte de um DNA primitivo nas entranhas do nosso povo, que já foi
considerado o mais hospitaleiro, amável e feliz do mundo. Onde desandou tudo
isso? Decretar o fim de uma doença e ir à praia 14 dias atrás, fez com que a
curva móvel de mortes e infectados aumentasse absurdamente no Rio de Janeiro,
que estava com a doença estabilizada em várias semanas.
Sete semanas é um tempo absurdamente grande. Não estávamos
acostumados a privação do mundo moderno desta forma. Pequenos gestos poderiam
ajudar ao bem-estar mental de cada cidadão, com ir à praia bem cedo e sair
cedo, procurar balneários mais afastados e pouco aglomerados, usar máscaras. Mesmo
com governantes que se mostram contrários ao uso mais básico das recomendações
da OMS, aqueles que incentivam o uso de medicamentos não recomendados ou que
insistem em privilegiar o capital, acima das vidas humanas, teoricamente, uns
se sentem fora da tormenta. E como nós somos responsáveis pelas nossas
escolhas, é triste ver essas escolhas feitas com ódio são cada vez mais brutais
e mesquinhas. E enquanto tivermos esse sentimento norteando as ações desde
governamentais até uma simples exibição de nudez, sem máscara em um
conversível, estaremos fadados ao fracasso na luta ao vírus.
No século XVIII, o cientista alemão, Alexander von
Humbold, ao visitar o Brasil, afirmou: “Aqui está o celeiro do mundo!
”. Se você pudesse voltar no tempo e conversar consigo mesmo, no início da
pandemia, quais conselhos se daria?
Minha homenagem ao Quino
quinta-feira, 17 de setembro de 2020
Arroz Benz
"Se não têm pão, que comam brioches." Célebre frase mais associado à imagem de Maria Antonieta. Na França, acabou em guilhotina, mas aqui, não terá maiores repercussões. A frase está no livro Confissões, do filósofo Jean-Jacques Rousseau, publicado em 1778. Um grupo de insurgentes insuflou o povo e conseguiu seu apoio para destituir e assaltar a Bastilha, símbolo de abastança em meio a uma população famélica. Ou seja, a população precisou ter apoio de concepção da derrubada de poder, de outra classe social, mesmo em menor número.
Para algumas pessoas mais velhas, vivenciamos em um passado
recente, uma experiência de desabastecimento galopante. Na época de Sarney,
tínhamos falta de produtos, mercados sem estoque sendo mostrado na TV, e muita confusão.
Outro dia, foi mostrado uma turba atacando um caminhão frigorífico tombado no
chão. Mesmo com a polícia do lado, não foi possível conter uma população
privada de comida, sem dinheiro e no meio de uma pandemia. O mesmo que sempre
reclamaram sobre a Venezuela. As revoltas a partir da fome são bem conhecidas. E nesse momento, acaba qualquer apoio.
Em alguns casos, vemos um proposital desabastecimento por
parte dos empresários ligados ao setor de alimentos para enfraquecer o governo.
Uma clara queda de braços entre ricos e governos populares de esquerda. Em uma
outra ponta, vemos esses mesmos empresários tomarem de assalto e imporem seus
desejos, sem que o governo tome providências. Como é o nosso caso. A famosa mão
invisível do mercado, que deve atuar sozinha sem interferência presidencial,
apenas teve um pedido chinfrim na porta do palácio de abaixarem o preço e serem
patriotas. Vergonha absoluta.
E se uma classe empresarial conquista esse benefício, de não
ser regulamentado, o que acabou acontecendo? O preço das roupas dispara e lojas
culpam custo do algodão. Reparem, que tudo isso acontecendo, com muita gente
com salário diminuído a metade ou sem recursos, desemprego recorde, tendo que
sobreviver com auxílio emergencial, que em breve será cortado pela metade. Cadê
aqueles que protestavam contra a gasolina a R$2,80 e agora está pagando R$ 40
num saco de arroz? Certamente, seria algo que colocaria a população nas ruas,
afinal, vivemos no mesmo país em que foi feito manifestações por 20 centavos.
Só lembrando, que arroz caro, é tirar da mesa de mais da
metade da população a única refeição do dia. Falar que Bolsonaro exporta arroz
barato para depois importar arroz caro ou que a safra foi muito ruim e que
temos que fazer sacrifícios e substituir arroz por macarrão, não adianta para
uma população que precisa ao menos sobreviver. A alta do arroz está ligada à alta
do dólar, que torna as exportações mais lucrativas para os produtores. Isso tem
a ver com administração pública. Alguns países asiáticos até suspenderam a
exportação, nesse período de pandemia, para ter arroz para seu povo. Mas isso
não é importante para muitos. Só que isso não vai ficar apenas no arroz. E
enquanto tiver pandemia, sem ninguém aglomerando, nada pode mudar esse foco que
vai piorar. Na Bielorrússia, já estão ignorando a quarentena para derrubar o
governo opressor e déspota, que se segura por ter elevado os salários de policiais
e soldados ao extremo, na ânsia de conter a população.
No Japão, também outro grande consumidor de arroz, em 1918,
teve aumento de preços do produto. Por lá, gerou uma grande revolta popular, levando
à renúncia do então primeiro-ministro japonês. Coube as mulheres japonesas, que
estavam mais na linha de frente no cuidado ao lar e das financias caseiras de
promover a rebelião pelo país. O mesmo acontece na Bielorrússia atualmente pela
organização feminina. As mulheres tiveram papel preponderante nesses dois
casos. A revolta do arroz, já aconteceu em outros países como na Libéria.
Ainda bem que o sal está barato, porque o tanto de banho de
sal grosso que eu vou ter que tomar para acabar com esse pesadelo, não será
pouco. Se ele tivesse caro igual ao arroz, nem uma fezinha dava para fazer.
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
7 de setembro
E lá se vão 198 anos de 7 de setembro e em plena eleição de 2022 completaremos 200 anos. E o que isso nos diz como nação? Se olharmos para trás, dentre acertos e erros, somos um país com muitos problemas de autoafirmação. E hoje, mais do que nunca, temos um presidente que idolatra a bandeira americana e esquece seu povo a toda sorte em plena pandemia. Diz Eugênio Egas em 1909, que a música teria sido composta pelo Imperador Pedro I, ainda no dia do Grito do Ipiranga, 7 de setembro de 1822 e feito a partitura às pressas pelo mestre André da Silva Gomes, para execução na noite desse dia, na Casa da Ópera. Em um refrão temos: “Filhos clama, caros filhos, E depois de afrontas mil. Que a vingar a negra injúria. Vem chamar-vos o Brasil. Que a vingar a negra injúria. Que a vingar a negra injúria. Vem chamar-vos o Brasil. ” E nesse tempo todo, ainda temos injúrias internas e externas, sema sede de vingança da letra.
Ninguém pode negar o grande marketing no teor nas palavras,
e imortalizada no quadro de Pedro Américo: “Independência ou morte”. E morte
houve. Não foram poucas. A Guerra de
Independência se estenderia até 1824, deixando 1.800 baixas, mas sem nenhuma
objeção do lado de Portugal em termos Pedro como imperador. Assim, se tornou o detentor
da independência do Brasil de forma conciliatória. Aliás, o quadro de Pedro
Américo fica no imaginário popular como sendo a cena heroica marcante deste
evento, mas também não passou de exaltação histórica. Nada daquele evento era
real, a não ser pela casinha de pau a pique. As primeiras fake news do projeto
de nação. Ainda pagamos 2 mil libras esterlinas para tal ato acontecer. Prefiro
a versão do Jaguar para a capa do Pasquim, que deu prisão para todos os
editores do jornal, onde substituindo a icônica frase, D. Pedro I gritou: “Eu
quero Mocotó! ”. Hoje, seria mais apropriado e mais moderno gritar: ” Bolsonaro,
por que o Queiroz depositou 89 mil reais na conta da Michele?”
47 anos depois, tivemos a fundação, em Salvador, da
Sociedade Abolicionista Sete de Setembro. Um movimento culminaria na abolição
da escravatura, 19 anos depois. Um dos poucos pontos de orgulho nessa data. De
lá para cá, aproveitaram a data de forma política, como a inauguração da
Avenida Rio Branco em 1904 e a Presidente Vargas em 1944. Poderia falar da estreia
de Pelé no Santos em 1956, mas o futebol brasileiro não tem dado muitos
exemplos de orgulho com seu comportamento diante da pandemia.
Tivemos 38 presidentes, desde 1889, que comemoram o 7 de
setembro. E não temos muito do que nos orgulharmos nesse período. Tivemos
muitos golpes de estado e uma ditadura. Hoje, completam-se 51 anos de uma missa
infantil que levou um padre do interior de SP a ser condenado com base na Lei
de Segurança Nacional. Não podemos comemorar. Hoje, um presidente que presta
continência a bandeira americana, queima a floresta Amazônica e o Pantanal,
mostra o quanto estamos longe do ideal de orgulho de nação.
Hoje temos um país partido. Um país que em um ponto quer ser
conservador, outro de extrema-direita e vários progressistas. Queríamos todos
os irmãos juntos e unidos, mesmo com as suas diferenças extremas, mas volta e
meia, vemos o desejo de separar imantado em grupos sulistas. Olhamos o futuro
como a Espanha que se dividiu suas colônias em vários pequenos países? Ainda
precisamos construir, lutando todos os dias por um país independente. Lutando
contra a entrega de nossos bens aos estrangeiros, nossas riquezas dizimadas e
nosso orgulho indo para os lugares mais escuros de nossa alma. Hoje enfrentamos
esse dilema de amar o Brasil e estar acuado com políticos de rapina assaltando
e detonando a nação, mais que no período de exploração de Portugal.
Neste 7 de setembro, desejo sinceramente, que o Brasil se
liberte de uma vez por todas do colonialismo. Se hoje, D. Pedro I se retorce em
seu descanso eterno, penso e acredito que ele irá, em um dia futuro, finalmente
repousar, pois um dia, nosso país será um exemplo de nação.
quinta-feira, 3 de setembro de 2020
Se vai na SEVAI?
O filósofo Walter Benjamim na década de 20 e o teórico da Mass media Marshall McLuhan na década de 60, decretaram o fim do livro. Assim como decretaram o fim do rock e o fim das guloseimas de São Cosme & Damião, nada tirou o sono nessas previsões. Tanto os livros físicos, como o livro digital, estão mostrando a sua força em cada evento literário no país. E convivem em harmonia. O livro físico, desde a criação por Johannes Gutenberg, sobrevive a 565 anos com altos e baixos, seja por crises econômicas ou não. Poderia se falar que a escrita e o amor pela escrita, vem desde a criação do alfabeto, ou mesmo quando quando não existia o alfabeto; mas o desejo de contar uma estória ou narrar um fato, nasce junto com o ser humano.
Começou no dia 29 de agosto e vai até o dia 6 de setembro, a
Primeira Semana Virtual do Autor Independente. A Sevai é um evento criado para
o escritor nacional que está sempre à margem no universo literário. E começou
com o pé direito, com a fala do imortal da Academia Brasileira de Letras,
Antônio Torres, que possui a sua origem no jornalismo, tem livro infantil e
possui um livro incrível chamado: Um cão uivando para a Lua. Nesse momento de
pandemia, evidentemente o evento será totalmente online. O que não tirou o
brilho do presencial, aliás, aproximou mais os escritores, que ficaram órfão
com os grandes e tradicionais encontros literários que adiaram seus eventos. A
lacuna deixada por eles, foi preenchida com muito êxito pela SEVAI.
Serão mais de 80 autores participando de todo o Brasil que
se apresentarão em salas de bate-papo, lives, podcasts que já estão disponíveis
no canal do Spotify Sevaicast, com os temas: “Etapas na criação de um
livro” e “Feminismo na Literatura”. Ontem, houveram várias lives pelo Youtube e
Facebook com temas variados de discussões. A sala de ontem, às 20h30, teve a
participação dos autores André Barroso, Dani Moraes, Lydianne Facó e S.
Hamilton, que conversam sobre como é a vida do escritor independente. A
moderação coube as meninas do @riodelivros. Ainda está disponível para ver e
ouvir nessas plataformas. Corre lá para conferir este bate-papo de ontem e
ficar de olho nos próximos com a participação dos escritores como: Mônica
Cristina, Ariane Fonseca, Crys Carvalho, Aretha V. Guedes, Eduardo Maciel, Mari
Sales, entre outros.
A chance de ler um autor independente, conhecer seu trabalho
e disponibilizar muitos deles de forma gratuita ou com promoção é único. E tudo
na ponta dos dedos. Afinal, a quarentena deu um empurrãozinho para a leitura
digital. Um mercado que cresceu 115% em três anos, segundo a Câmara Brasileira
do Livro e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros. Isso demonstra não
só a força do livro, mas também sua capacidade de transformação. Parte da crença
que o livro não sobreviveria aos tempos modernos, seria a sua incapacidade de
ser absorvida pelo mundo digital. E vemos que não só demonstrou ao contrário,
como temos uma nova forma de consumir literatura: Os audiobooks.
Paradigmas são quebrados a todo instante nas conversas e
debates ouvidas desde sábado e serão ouvidas até o próximo fim de semana. As
procuras de tendência mudam. Estamos vivenciando uma nova busca por temáticas
atuais, tais como o feminismo (Não à toa que a maioria dos escritores atuais
são formados por mulheres), o empoderamento, a luta contra o racismo e a
homofobia; assim como informações contra o fascismo e o que aconteceu na década
de quarenta. Gêneros como romance e literatura erótica, tiveram um boom grande,
com as mulheres mostrando que também são detentoras desse desejo e conseguiram
tirar as amarras do machismo estruturado na sociedade.
Enfim, uma delícia de evento voltado ao mundo literário para
leitores, editores em busca de novas linguagens e talentos e amantes do debate.
Acesse o site http://www.sevai.com.br para
conhecer toda a programação, rol de autores e parceiros literários. E comprem o
livro digital NÃO FALE MAL ATÉ VINTE DIAS, de André Barroso pela Amazon. Ajudem
o escritor que vos fala a um dia poder experimentar um caviar.
quinta-feira, 27 de agosto de 2020
O Jab em Jair
A popularidade que o presidente começou a colher, com seu silêncio e fim de ataques contra e tudo e todos que se opõe ao seu governo, despencou novamente com a ameaça do próprio, dizendo que iria “encher de porrada” a boca do jornalista. Tudo por que o jornalista perguntou, o que todos querem saber:
Presidente Jair Bolsonaro, por que sua esposa Michelle
recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?
Já pararam para pensar, que além dos óbvios quase 40 pedidos
de impeachment, recorde de pedidos na história do país, as centenas de provas
claras de um presidente demonstrando crimes e mais crimes, não é apenas uma
convicção? Uma convicção, já levou a se condenar presidentes. Por que ainda
consentimos tudo isso? Primeiro, temos o interesse financiados pelos Estados
Unidos em levar a preço de banana, o que temos de fontes de riqueza e
patrimônio. Segundo, as grandes elites que estão ganhando com o país em crise.
E terceiro, a parte do país que apoiou e ainda apoia o presidente, é tão
extremista quanto ele e vai fazer de tudo para não largar o osso.
Já foi provado, que podemos pagar a
dívida externa, dívidas internas sem vender a Eletrobrás, Petrobrás e qualquer
bem nacional. A privatização, tão alardeada pelos liberais, só beneficia os
compradores. Veja o exemplo da energia eólica. Tão criticado pelos extremistas,
que abusaram de fakenwes dizendo que “estocar vento” era uma bobagem, coisa de
burro. O Complexo Eólico Campos Neutrais, no qual a Eletrobras investiu R$ 3,1
bilhões, foi vendido à empresa Omega por R$ 500 milhões. E ela ocorreu agora, em
plena pandemia. Agora, além do mote liberal de que precisa vender tudo, a
desculpe diz que é um gasto enorme e não leva a nada, sendo que em 2017, a
energia eólica Campos Neutrais gerou um lucro líquido de R$ 345 milhões.
Graças a quarentena, não estamos vendo o povo na rua se
mobilizando para criar grandes marchas contra o presidente. Mas o caldeirão
está aumentando sua fervura aos poucos. E sabemos que a desobediência civil
precisa de tempo para se tornar inspiradora. E Trump perdendo, mesmo com
pandemia, o caldo vai desandar. Pois, além do único sustentáculo do presidente
ser os EUA, nada melhor do que uma inspiração vinda de lá, para aqueles que
veem o país do Micley como o paraíso na Terra. O movimento que hoje cresce na
internet com dizeres: Presidente Jair Bolsonaro, por que sua esposa Michelle
recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz? Atinge todas as classes sociais e
influenciadores populares.
Todos são atingidos em cheio, quando movimentos emocionam em
cheio a todos. Pense em Gandhi. Ele pregou resistência não violenta para a
independência da Índia do Reino Unido e inspirou movimentos pelos direitos
civis e liberdade em todo o mundo. O poder colonial britânico não pode ser
comparado com o poder do latifúndio no Brasil, mas hoje, você tem os mesmos direitos
dados, através de medidas feitas apenas para os dominantes, tacando fogo em
florestas, arrendando espaços para fazendas, matando índios, liberando garimpo
e etc.
Martin Luther King, outra figura importante. Um pastor
batista e ativista político que se tornou o líder do movimento dos direitos
civis nos Estados Unidos. O apartheid social brasileiro também está sendo
colocado em cheque, com o empoderamento negro e as diversas lutas, também
deflagradas nos últimos tempos com movimentos como Black lives matter. Sempre
tivemos um conformismo arreigado, com relação a opressão aos negros. Agora, a
coisa mudou de figura. Vivenciamos esses descasos durante anos e quando vivemos
a interrupção dessa deferência, a classe opressora invoca o pânico, a Lei e a
ordem e as boas intenções dos cidadãos de bem.
A paciência que temos, está acabando a passos largos.
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
Romero Britto cancelado
O episódio da mulher quebrando a obra mais cara de Romero Britto, diz mais sobre ele do que ela. A situação deve ser vista não em um ângulo apenas. Vejamos então por que curtiram a idéia de degradação de uma obra de arte? É justificável? Aquele momento é único? Já não é de hoje que o artista é hostilizado por boa parte da população. A comunidade intelectual também não comunga de afeto pela pessoa Romero Britto, quanto mais sua obra. A um tempo atrás, até em provas do terceiro ano se encontrava esses resquícios. A questão dizia:
Existem grandes artistas na história da arte que fizeram
parte de um processo demorado e complexo acompanhando o desenvolvimento de uma
civilização. Qual artista abaixo não se enquadra nesse conceito de arte e
apresenta um desenvolvimento vazio e sem propósito algum além do comercial?
a)
Leonardo da Vinci
b)
Michelangelo
c)
Monet
d)
Picasso
e)
Romero Britto
Temos um artista, que com uma forma simples e infantil,
conquistou os Estados Unidos, se aproximando de celebridades. Um nordestino que
saiu do ostracismo para ser também uma rica celebridade na América. Esse
tópico, já incomoda os cidadãos de bem, que se incomodam com quem nasce no
nordeste do Brasil, mesmo ele tendo apoiado o presidente. Ele consegue se
atribuir rejeição da intelectualidade, artistas e toda a direita.
Por que o meio artístico odeia tanto Romero Britto? O que
diferenciaria Romero Britto de por exemplo: Jeff Koons que usa balões no
formato de cisne, coelho e macaco ou Keith Haring, ativista-social que grafitou no metrô de
Nova Iorque nos anos 80? Uma diferença é que Romero dispensou as Bienais,
galerias e o Stableshment, e se auto sustentou. A fusão entre arte e negócios
incomoda demais. Afinal, arte é pensar, debater, trazer reflexões, muito
diferente de apensas ser um negócio. Romero trabalha mais como um artesão
marqueteiro de que como artista. O Britto Shop é uma prova disso.
Ser popular, não é necessário estar desprovido de
inteligência e reflexões. Afinal, Mozart era popular e extremamente
sofisticado. Os EUA compraram o trabalho
de Britto. Talvez por amarem Disney e o marketing envolvido. O jeito de ser
americano. Uma infantilização em algumas coisas sem precedentes. Um apetite
infantil simples, mas voraz. As atitudes na sociedade estão mudando pelo mundo.
A luta por um mundo mais justo está levando as atitudes ao extremo. As estátuas
que homenageiam antigos mercadores de escravos estão sendo banidas, arrancadas.
Em alguns lugares até substituídas por mártires negros. E a pergunta que se faz
é sobre a obra de arte. É justo destruir uma obra de arte por ter significados
contrários ao que acreditamos ou é melhor mantê-las intactas para que se possa
ter marcos de discussão? Caravaggio, um dos mais importantes pintores barrocos,
foi pedófilo, usou prostitutas como modelos para santas e matou uma pessoa.
Devemos rasgar suas obras?
Evidentemente que a atitude extrema da dona do restaurante e
ex-fã de Britto, diante da sua soberba, desrespeito, ignorância, hoje são
aceitáveis no mundo em que vivemos e sinal de mudança positiva de paradigmas. Nosso
olhar também não compreende a atitude. A Europa é muito comum em sinal de
desrespeito, o cliente comprar a comida mais cara do restaurante e sair sem
comer. Uma ofensa enorme, que não é absorvida no Brasil. Por aqui, devido a
polarização, nos sentimos compelidos a torcer por um ou outro e em uns casos,
até tatuar a cara de susto do artista na perna.
A prudência nos ensina que se deve olhar os americanos do
ponto de vista do Mickey
quinta-feira, 13 de agosto de 2020
100 mil não é só um número
Passamos a marca de 100 mil mortes pela COVID. Com toda pressão da sociedade e apenas comemorando o título do porco, mas ainda assim, não conseguindo agregar mais ninguém, o presidente resolve ligar para seu amigo do outro lado do hemisfério.
- Hello?
Who calls me at this fucking hour?
- Como disse? Aqui é seu camarada do Brasil! O exterminador!
Hahahahahaha! Fala chefia! Como está essa força? …Aqui, preciso falar com você,
taokei?
- Who calls
me?
- Calme?
Aaah..sou eu! Jair!
- I don’t understand Portuguese…
- Eita
nós...
- Pass it
on to someone who speaks English out there!
- Não! Não! Eu falo um pouquinho. Aprendi inglês até a
quinta série. Muito difícil. Você bem que podia aprender um pouquinho de
português também. Sou seu único amigo no mundo, talkei?
- This is
real? Is it really happening?
- Real? Sim, vou lançar sim a nota de 200. Vai ser um
arraso. Coisa tipo nióbio! Queria colocar primeiro um tigre ou leão, mas me
falaram que não ia cair bem na imprensa aí pensei no lobo guará..., mas estou
achando que vou ficar mesmo com o Caramelo mesmo, talkei?
- Unbelievable!
I don't understand you at all! will run more around ...
- Runmoreoundi? Aaahhhh…fiquei sabendo que você quer colocar
sua cabeça lá naquele monte dos presidentes o Ruximure...Rouxi...Roauchi...aquele
monte lá, talkei?
- What?
- Assim tá difícil ô pesida! ...vocês tem que dar o trabalho
de aprender nossa língua também. A gente comprou todos os estoques de
cloroquina de vocês, poxa. Tem que dizer pelo menos que me ama.
- I don’t understand.
- Olha, vamos tentar de novo. Estou chateado, faço tudo que
você faz. Vocês estão com as maiores mortes pela doença no mundo e aqui, só
porque passamos de cem mil mortos, eu sou o genocida? Fui comemorar o título da
Palmeiras e ninguém ligou. Só querem saber da doença e dos milhões nas contas
de minha família...o que estou fazendo de errado?
- look, ban
the tik tok...
- Ahh?
- create
controversy..
- Ahh?
- And send
Brazilians to spend money at Disney!
- Disney? Agora você está falando a minha língua!
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
A engenharia do gabinete do ódio
As épocas têm seu jeitinho de enganar a população. Nos
lembraremos de 2018, como o período que se enganou e venceu a eleição, através
das fake news nas contas de redes sociais. Os detalhes do esquema de contas
falsas, disseminadoras de fake news, onde TODAS eram ligadas à Bolsonaro. Todo
mundo sabia, ou muita gente sabia, que os conteúdos falsos eram distribuídos
desde a campanha eleitoral para presidente. O movimento para tentar reverter a
situação, sempre ficava um passo atrás dos conteúdos falsos. Ou seja, na
tentativa de sempre estar provando que o conteúdo era falso para uma população
constantemente massacrada com postagens agressivas e falsas, tirou o verdadeiro
debate de propostas. Aliás, nem teve debates, pois garantido que iria vencer
através de notícias falasas, Bolsonaro nem apareceu nos debates.
O estrago já foi feito! É hora de o mundo mostrar o esquema
criminoso e tentar reverter a situação. Uma tarefa árdua e lente, posto que a
verdade está ao lado de quem fala e as mentiras estão do lado de quem tem
dinheiro. Muitos empresários financiadores do esquema se locupletaram nesse
período de pouco tempo de governo. Alguns bilionários ficaram até
trilionários. Aos poucos, vemos uma
reação muito boa contra usurpagem feita pela extrema-direita. Com cada vez mais
movimentos sociais conseguindo entrar em pautas das grandes empresas, essas
mesmas empresas querem mostrar de alguma forma seu engajamento para não perder
público. Dessa forma, pressionaram o Facebook a acabar com fakenews. Se não
fosse dessa forma, a empresa de mídias sociais, nunca iria fazer essa
varredura. Para o Facebook, bloquear
perfis de bolsonaristas é fácil. Até mostrou que a rota dos perfis sempre
chegava no presidente. O importante é apontar e ver bloquear contas bancárias
de corruptos em paraísos fiscais, que financiaram toda essa trama para chegar
ao poder. Isso porque, mesmo com o bloqueio, muitos desses bolsonaristas
estavam usando IPs falsos de outros países para burlar o bloqueio e continuar usando
e disseminando fake News, mesmo com a proibição.
A rede de intrigas, não parou na eleição para presidente.
Ela continuou por todo o período de governo. Assessores pagos com dinheiro
público continuaram sua tática para atacar adversários de Bolsonaro e manter
fiel seu público com ódio destemperado e criar uma faixa de apoio contínuo. O
desespero do clã Bolsonaro começou a se mostrar evidente, com a pouca adesão de
apoio de milhares de robôs virtuais a seus atos, pois as contas falsas das
redes sociais foram banidas. A própria entrada do chamado CENTRÃO no governo,
onde leia-se: distribuição de cargos e dinheiro, foi uma maneira de tentar
estacar a sangria ocorrida nos últimos tempos, graças ao constante ataque do
governo ao STF. O tiro saiu pela culatra. Achando que tinha muita adesão
popular, uma derrubada do supremo cairia como uma luva, mas mesmo com um número
grande bolsonaristas entrando em todos os escalões do governo, não foi capaz de
enfraquecer as instituições.
Mesmo assim, os filhos de Bolsonaro ainda mantendo suas
contas pessoais nas redes sociais, tem tempo de manifestar apoio a grupos
Neonazistas internacionais, disseminando fake News sobre o fim da pandemia em
um ato. O ato teve como slogan “O fim da pandemia – Dia da liberdade”, uma
referência ao filme “Dia da Liberdade”, produto de propaganda nazista de Leni
Riefenstahl sobre o congresso do partido de Hitler, em 1935. Os filhos
resolveram a situação através do enfrentamento direto contra as redes sociais e
continuando seu trabalho de divulgação de notícias falsas e disseminando ódio.
Outros apoiadores bolsonaristas, seguiram o caminho da fuga ao exterior.
Não podemos deixar que a mentira, negacionismo e o ódio,
continuem governando o Brasil. Sempre fomos um país com características vistas
no exterior como de paz e amor, deixar que mudem essa característica é
conseguir mudar de vez não só quem somos, mas quem gostaríamos de ser.