quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Livros ilustrados na Bienal de Maricá

 


Livros que ilustrei que estão participando da Bienal de Livros de Maricá, pela editora Proverbo

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Último capítulo ou Chez Mãe Joana

 

Chez é a preposição que significa “Em casa de”. E mãe Joana (Perdoe todas as verdadeiras mães Joanas), significa um lugar onde vale tudo; sem ordem; balburdia. Essa é a verdadeira face do Brasil de Bolsonaro. E vimos isso com muita claridade e farto material comprobatório, pois a CPI concluiu seus trabalhos, identificando todo tipo de crimes do presidente e todos que rodeiam o planalto. Vai desde disseminação de fakenews até genocídio culposo. Mesmo que os governistas tenham tentado tirar a responsabilidade do presidente, não há como negar sua influencia negativa perante a sociedade. Hoje, um colega cartunista da Paraíba, Laílson de Holanda, faleceu de COVID porque não tinha tomado as duas doses, sentindo-se orientado pelas falas do senhor Jair.

Mãe Joana na França eram os bordéis de Avignon no século 14. Surgiu quando Joana, rainha de Nápoles, se refugiou lá depois de se envolver em na conspiração para a morte do marido. Logo, cada prostíbulo passou a ser chamada de Paço da Mãe Joana. O que também pode combinar com este governo, que negociou vacinas para obter lucros de maneira mórbida, com sofrimento alheio. O governo de vida fácil abriu as portas para todo tipo de negociata, desde que seja para os seus apenas. Essa promiscuidade dos negacionistas colaborou com a ampliação da morte de muitos brasileiros e uma entrada muito tardia da vacinação no país.

Em 1382, Joana foi assassinada por seu sobrinho e herdeiro, Carlos de Anjou. Por aqui não haverá esse tipo de desfecho, mas se depender dos tribunais internacionais é possível que tenhamos o primeiro investigado brasileiro em Haia e pela ONU. Mas periga, com o nosso país com parte dos bolsonaristas, que estão em cargos importantes, consigam livrar Bolsonaro da maioria dos crimes. Com as lisuras dos governos Lula e Dilma, tiveram que apelar para fakenews que hoje se desmontam essas narrativas. Se houvessem tido 1/16 de umdos crimes atribuídos a Bolsonaro, o escândalo seria imenso. Não é surpresa o presidente se envolver em todo tipo de confusão, mas transformar o país na casa da mão Joana e mesmo com milhares de processos em seu lombo continua a ser belicista.

CPI aprova pedido para banimento de Bolsonaro das redes sociais. O que já era sem tempo, pois mesmo com Facebook e Youtube fazendo essa punição, por violar códigos de condutas, ninguém conseguia barrar suas falas mortais contra o povo brasileiro. O que pode até ser bom para o Centrão, que quer colocar o trator para aprovar as reformas o quanto antes e com o presidente calado, fica mais fácil ter o caminho livre. Mas, Bolsonaro vai reagir, mesmo que entre em redes sociais conservadoras como fez Trump, também expulso das mesmas redes sociais. Ele continuaria falando para seu público, porém, com alcance muito menor. A surpresa no relatório final foi a inclusão do Senador Luiz Carlos Heinze por divulgar mentiras sobre a pandemia durante as sessões. O senador que lia seus textos negacionistas até no dia da votação final da CPI no mesmo tom de voz, passou de figura cômica para figura perigosa. Mesmo com a retirada de seu nome antes de votar o relatório final, continua sendo uma figura a ser observada futuramente.

A proposta de regulamentação de crime de genocídio na legislação brasileira, do senador Randolfe Rodrigues, eleito o melhor senador do ano, também foi acolhida pela CPI. Dificilmente outro presidente fará o mesmo ou pior que Bolsonaro, mas isso vai ajudar quando houver o próximo golpe de direita no país e elegerem outra figura absurda. Afinal, elegemos Collor, por que não Bolsonaro? O pior é saber que não existe um aprendizado da população, enquanto não houver uma consciência de classe. Com isso, existe sim uma possibilidade de entrarmos novamente nesse buraco no futuro e para isso, estamos protegidos com essa nova regulamentação.

Estamos vivendo um capítulo de virada de consciência. Todo o histórico de Bolsonaro foi posto ao mundo inteiro para ver o quão criminoso e como tripudiou cada uma das mais de 600 mil mortes. O mundo realmente dá voltas e pode dar respostas a essas famílias daqui por diante, indiciando o presidente e todos os 80 indicados pela CPI. Somente depois, poderemos deixar de estar na Casa da mãe Joana e ter orgulho de estar no Brasil.

Ah, essa vida cosmopolita.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Conclusão: Genocídio!

 

Setenta e seis anos se passaram desde o término da Segunda Guerra Mundial. Dos brasileiros,  450 praças foram a óbito e 12 mil feridos nos combates. Nada comparado as mais de 600 mil mortes pela COVID. É i maior responsável por mortes do que qualquer conflito armado que o Brasil esteve presente. Foram 50 mil na Guerra do Paraguai. Nem comparado aos números como os 35 mil na Gripe espanhola. Essa é a maior tragédia que o país enfrentou, desde a chegada dos Portugueses ao país. Não é pouco. E se imaginarmos que com verdadeiras políticas públicas, teríamos como salvar pelo menos 100 mil vidas, a CPI está apontando que temos um adjetivo que pode ser oficialmente aplicado: Genocídio.

O que o Tribunal de Haia considera como genocídio? Os atos e conduções do presidente podem gerar punições? O tribunal que julga denúncias de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, já recebeu mais de três pedidos contra Bolsonaro e talvez o dos povos indígenas seja mais plausível de ter continuidade. Por lá, por exemplo, Ahmad al-Faqi al-Mahdi de um grupo fundamentalista islâmico ligado à Al-Qaeda,  esteve envolvido com a destruição de santuários sagrados em Timbuktu, no Mali. Foi condenado a nove anos de prisão. A denúncia que avança internacionalmente é sobre a promoção de ataques sistemáticos contra povos indígenas Haia considera genocídio como extermínio deliberado de um grupo étnico e por isso, o pedido de vista avança nos países baixos.

Queria ter o poder da profecia, de vislumbrar o futuro como as pitonisas gregas ou até um olhar apurado como do personagem do Woody Allen (Acho que na Poderosa Afrodite), onde ele inicia um curso de pintura porque a idade média estava acabando e iria se iniciar a renascença, para poder ver essa imputação de genocídio acontecer. Por que é só claro os danos de crimes de responsabilidades do presidente atingirem apenas aqueles que perderam familiares. Os depoimentos dos atingidos são tão comoventes a ponto de comover o intérprete de libras que tentava traduzir com lágrima nos olhos. O mínimo que nosso presidente será indiciado sobre epidemia com resultado morte, infração de medidas sanitárias, emprego irregular de verba pública, incitação ao crime; falsificação de documento particular; charlatanismo; prevaricação; genocídio de indígenas; crimes contra a humanidade; crimes de responsabilidade; e homicídio por omissão. Isso para falar por baixo.

Falar que o presidente, que já declarou ser fã do torturador Ulstra, do ditador Médici, adorador incondicional do filho da KKK Trump, de serem amigos de todos os extremistas de direita na Europa e Estados Unidos, com certeza vem da influencia do orgulho que tem de seu bisavô que lutou ao lado de Hitler e até perdeu um braço. Dizer que ele está mais próximo de Gandhi pelos apoiadores é até um escarnio. Mas temos essa herança da segunda guerra mundial, onde os americanos foram os verdadeiros vitoriosos na geopolítica mundial, introduzindo a noção de que o capitalismo era o herói e o comunismo comia criancinhas, onde o discurso do presidente se baseia para qualquer discurso ou desculpa. O mundo mudou e a China vem crescendo e preocupando os americanos e todos aqueles que se baseiam nesse discurso que apenas coopta pessoas mais idosas e apreciadores do fascismo e da política que sufoca os mais desvalidos para locupletar os mais ricos.

Não falar em genocídio é que é um absurdo. Não é uma questão de opinião ou semântica. Foi premeditado. Já dizia Eduardo Galeano, que o genocídio começou quando "Eles tinham a Bíblia e nós a terra. Quando abrimos os olhos eles tinham a terra e nós a Bíblia” e hoje, temos os mesmos propósitos, utilizando os mesmos discursos. Só que agora, o mundo está de olho e podemos segundo o relatório final da CPI dizer que foi com certeza genocídio.

Sem dúvida estamos em um momento tão difícil que nem previsão em terreiro é capaz de definir qual destino de Bolsonaro daqui para frente.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Mil dias de pesadelo

 Mil dias da gestão do presidente Jair Bolsonaro. Como conseguimos chegar vivos até aqui? Quais promessas conseguiu cumprir? Como está a situação econômica do país hoje e como estava? E qual a nossa percepção de tudo isso? A semana abre com a entrevista que o presidente deu a revista Veja. A vergonha acontecida na ONU, continua na entrevista a revista, com a tônica de um Bolsonaro paz e amor. Nunca pensou em golpe, respeita os direitos humanos e respeitará as eleições. O país das maravilhas que vendeu na ONU, agora na versão tupiniquim. A revista Veja que antes estava mostrando todos os perfis violentos, ataques ao STF, todos os problemas de corrupção do Ministério da Saúde, agora mostra um presidente calmo e sereno. Por quê? A resposta está na dívida milionária que a editora Abril tinha com a união e foi perdoada.

O fato que recuperar a aprovação do governo, depois de mil dias desastrosos, não será fácil e a corrida para a presidência cada vez fica mais distante para o atual presidente. A aprovação hoje do presidente só é maior que a do Collor. Isso por enquanto. Hoje a avaliação de ruim/péssimo de Bolsonaro é 56%, enquanto Collor foi de 68%. A percepção foi que houve precariedade em todas as áreas de atividades econômicas, ambientais, direitos humanos, educação, saúde e cultura no país todo. Dentre as promessas de campanha, apenas na economia conseguiu cumprir alguns termos. Os números fatais desses 1.000 dias vão de 19,1 milhões de famintos, 14,7 milhões na extrema pobreza, 14,4 milhões de desempregados e quase 600 mil mortos por covid-19.

Bolsonaro pensa em comemorar seus 1.000 dias de governo para recuperar o prejuízo da popularidade. Mas comemorar o que na sua cabeça? Apenas seu ideal que queria combater o comunismo no país, pois não existe o que comemorar. O que antes, éramos um país respeitado e deixando de ser emergente, agora o Brasil deixou de ser emergente. Agora é submergente. Foram 1.000 dias de desmatamento da Amazônia e do Pantanal, acabando em um escândalo mundial com o ministro do meio ambiente investigado pelos americanos por tráfego de madeiras e o mais cruel, o escândalo da vacina, que levou a todo tipo de maldade com o brasileiro como lutar contra a vacina e usar humanos em experimentos com implicações que vão levar anos de tratamento e alguns casos a morte, tudo apenas por dinheiro.

Das promessas de campanha que conseguiu cumprir, está a aprovação da reforma da previdência, que colocou todos os novos idosos em um novo sarrafo, tendo que trabalhar mais ou pagar empresas de previdência privada para descansar e ampliar as privatizações, do qual jornalistas bolsonaristas apoiaram falando dos problemas  das empresas públicas e agora estão sofrendo com apagões sem soluções de mais de 12hs sem energia e agora lutam ao contrário. Ainda na área econômica, prometeu crescimento da economia e inflação baixa. Com 14,4 milhões de desempregados, pandemia descontrolada a inflação em 12 meses chegou em 10%, combustível subiu 41%, energia subiu 21% e a comida subiu 16%, colocando os mais pobres cada vez mais para baixo na linha de pobreza. Não é atoa que voltamos para o mapa da fome no mundo.

Além dos problemas na vida do brasileiro, Bolsonaro promoveu mais de 100 crises institucionais e seu governo teve 19 ministros que saíram do governo, representando uma mudança a cada 52 dias. Temos ainda ataques a democracia, armamentismo, a pesquisa científica à míngua, entre tantos e tantos problemas em cada área humana que deixam o brasileiro de volta ao século 15.

Em 1.000 dias de governo Bolsonaro a única coisa que melhorou no Brasil foram os memes.

 

Desenho para capa do Segundo caderno do Correio da manhã

 



Desenho para capa do Segundo caderno do Correio da manhã

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Exportação da demência

Sabemos que o presidente iria exportar a demência antes o evento da ONU, durante o evento e provavelmente continuará fazendo após o evento. Já chegando aos EUA, colecionou problemas atrás de problemas, como insistir em não usar máscara, minimizar a pandemia mundial, desafiou as regras da cidade e se achando um grande líder mundial. Porém, na contramão do resto do mundo, seu discurso na Assembleia Geral da ONU, diante das mentiras, afirmações econômicas fake, deixa o país diante da maior vergonha de sua história.

Temos um presidente com uma atuação diante do mundo parecida com Muamar Kadafi, que são figurantes dentro da seriedade dada aos temas relevantes. Bolsonaro só não é um párea completo neste cenário, porque a extrema direita se atrai. Foi o caso do encontro com o presidente da Polônia, Andrzej Duda. Isso sim, me preocupa mais. A intensificação de grupos neonazistas internacionais, as conversas com grupos de extrema direita ligada a Trump nos EUA e fascistas ao redor do mundo.

O que antes éramos vistos, como o país de ambições a participar dos destinos na humanidade, caiu por terra nos anos Bolsonaro. Mesmo na era Collor, que tinha posturas liberais, seu discurso foi sobre os Direitos humanos que não eram prioridade no regime militar e, no processo de redemocratização, teriam valores melhores. Com FHC, o Brasil começava a demonstrar capacidade de ser protagonista no mundo na busca de uma globalização "com justiça". Com Lula chegamos ao ápice como exemplo de desenvolvimento social, com a adoção de programas como o Bolsa Família, retirada do país do mapa da fome e pagamento da dívida externa.

Não consigo parar de pensar que conquistamos o protagonismo na era Lula, com papéis importantes como um Rei Lear, de William Shakespeare e hoje somos o bobo da corte do rei da Grã-Bretanha. Ou talvez nem isso, pois existe certo holofote no bobo. Talvez estejamos como figurantes que aparecem apenas no final da peça como de feirante, mendigo ou prostituta. Isso, com todo desprezo pelo povo que a nobreza inglesa possuía. Mesmo se o papel fosse dentro de alguma revolução libertária, não conseguiríamos um papel melhor do que a infantaria ou até mesmo de turba.

Demoramos quase 30 anos para a posição de coadjuvante até nos tornarmos verdadeiros protagonistas. Quem não se lembra do ápice da festa na ONU com o show do ministro da cultura Gilberto Gil tendo Kofi Annan, secretário-geral das Nações Unidas na época no bongo, fechando um período de grande alegria no mundo. O retrato atual é de desânimo. Somos páreas para o mundo. Não existe mais o mundo para Bolsonaro e sim seu cercadinho. Apenas que esse cercadinho, ganha adeptos perigosos pelo mundo. Correntes da extrema direita internacional se aproximam do clã do presidente.

O presidente se sentiu a salvo em outro país. Que seu discurso usando dados falsos, do qual defende o uso indiscriminado por qualquer um, inverdades e práticas demodeé, refletem esse nosso atraso político, saudosista da Casa Grande & Senzala. Temos um retardo histórico, pós-revolução industrial, onde não fizemos nossa revolução burguesa. Um país que tem com o lema de ser laico, mas a todo o momento se fala em nome de Deus para justificar os atos contrários ao povo.

Enquanto isso, o povo Brasileiro, essa figura paciente, figurante da própria história, apenas espera sua sorte mudar.

E espera sentado...

Lançamento de coletiva de escritores da Proverbo

 




No dia 25 de setembro, às 16:00h, no GAM, frente ao lindo cenário da Lagoa de Araçatiba, acontecerá o lançamento da coletânea “Proverbo: porque todos têm o direito de dizer sua própria palavra”, edição comemorativa que marca os 50 títulos publicados pela Editora Proverbo, de Maricá, em seus 2 anos de vida. Organizado pelo casal Marcia Fernandes e Vilson Ferreira, sócios da Proverbo, a coletânea apresenta 50 textos entre crônicas, pequenos contos, artigos e poesias, de 33 autores da casa.

Esta coletânea tem sabor de celebração, sonho realizado e conquistas. Afinal, a editora nasceu com a missão de ser uma aliada de autores iniciantes, de jovens autores e de autores independentes. E se considerarmos que a maioria das obras publicadas foram a primeira de vários autores, podemos dizer que essa missão está sendo cumprida com êxito. 

Nascida bem no início da pandemia, em 2020, a Editora Proverbo foi criada para ser uma ponte entre os autores e seu sonho de ver seus livros publicados. E o que poderia ser mais um projeto frustrado, pelo cenário ímpar de incertezas que tomou conta do mundo a partir de março de 2020, transformou-se em uma linda história de encontros, aprendizados e muitas histórias pra contar. De lá pra cá, a Proverbo se orgulha não apenas desse número simbólico de publicações – que enquanto essas palavras são escritas já passa de oitenta –, mas principalmente das histórias e pessoas envolvidas em cada livro publicado.

Além das coletâneas, a editora publica, ainda, livros de poesias, romances, biografias, crônicas, contos, livros evangélicos, acadêmicos e infantis. Um desses infantis é motivo de orgulho para nós. Trata-se de “A menina do chapéu amarelo”, da nossa sócia e parceira Marcia Fernandes Ferreira, que ganhou o Prêmio Ecos da Literatura como o melhor livro infantil de 2020.