quinta-feira, 22 de abril de 2021
Palestra World Creativity Day 2021
quinta-feira, 15 de abril de 2021
Fazer do limão uma limonada
Faz parte da nossa resignação ao amoralismo da política brasileira, ou melhor, de certa camada de políticos antigos do Brasil, essa urgência nos julgamentos morais, feitos principalmente pela classe média e elite coronelista do país. Tínhamos uma estirpe de políticos que não se importavam nem que seu nome fosse jogado na lama, pois tempos depois dessa fama se alastrar, conseguia capitanear o sucesso em uma próxima eleição. Vide Collor. Mas hoje, somos seres mais evoluídos. Hoje, temos certa canja de maus políticos, entendemos do riscado e parecia que não queríamos mais determinados fazeres em Brasília. Ledo engano. Com o presidente, parece que a população tolera tudo que antes era tido como péssimo. E chegamos ao fundo do poço, quando o medo da CPI da COVID, leva ao presidente para ligar aos senadores para fazer acordo.
O Palácio do Planalto pressiona senadores para ampliar
escopo da CPI, para tirar foco dos inúmeros crimes do governo federal. O
senador Kajuru publicou ligação dele com Bolsonaro, que lhe pediu para
"fazer do limão uma limonada". A bandalheira é generalizada. A
documentação é extensão desde o famigerado “É só uma gripezinha!”. Você
consegue listar de cabeça, inúmeros crimes que com certeza serão listados pela
CPI, que, aliás, é urgente. E não se trata de revanchismo, mesmo sabendo que o
presidente, maior recordista de pedidos de impeachment da história, tem sim
responsabilidade. O problema de achar que esse dia jamais chegaria, é que seus
rastros estão devidamente documentados. Tanto em vídeo, escrito, depoimentos e
etc.
O fato da CPI é o seguinte: “Apurar as ações e omissões do
governo federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil e, em
especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com a ausência de
oxigênio para os pacientes internados”. Você claramente tem o retardamento de
compras de vacinas que foram oferecidas e recusadas pelo governo, por questões
ideológicas. Nossa melhor aposta foi a Coronavac, trabalhada pelo Instituto
Butantã, que apenas foi adiante porque existe a disputa política entre Dória e
Bolsonaro. Tudo documentado com as agencias internacionais de venda dos
imunizantes corroborando a versão de omissão. E a negligência de Pazuello no
enfrentamento ou o não enfrentamento da crise no Amazonas, tentando oferecer (E
o que faz até hoje, tentando escoar milhões em tratamento precoce) Cloroquina e
outros medicamentos ineficazes para o Estado.
O que é mais reprovável? Evidente que a resposta seria a
omissão nas mortes de brasileiros que
poderiam ser evitadas, com cidades mostrando que lockdown e vacinação em massa
é a resposta, zerando o número de internações. E para evitar essas evidencias
contundentes, o presidente fala mais de uma vez sobre a necessidade do
contra-ataque ao STF. O que ele já falava tempos atrás em relação a esticar a
corda. O que o presidente via como a possibilidade mais real de impeachment
acontecer, tenta articular com a ala militar mais da extrema direita, antigos
militares e conservadores, uma ajuda para essa pressão. O que foi por água abaixo
com a declaração dos ministros militares sobre democracia. Uma abertura de impeachment
de ministros do STF pode segurar CPI da Covid é avaliada como alternativa para
se esquivar mais uma vez de suas responsabilidades.
Somos hoje, o país do golpe. Enquanto a América Latina se
livre desses golpistas, somos a latrina do mundo, criando uma ilusão falsa que
somos um país livre e alegre. Nada mais profundo do que ilusões falsas.
quinta-feira, 8 de abril de 2021
A bola fora de Kássio Nunes
O ministro do supremo, indicado por Bolsonaro, Kassio Nunes Marques, resolveu monocraticamente e estrategicamente, neste Sábado de Aleluia, liberou missas e cultos presenciais enquanto estamos vivendo uma escalada de mortes pela COVID. Com as igrejas evangélicas sofrendo com a falta de dízimos dos fiéis, prefere apertar o ministro para liberar a todo custo as missas e rever o quinhão perdido. Mas sempre será uma bola fora, pois se morrer seu rebanho, quem poderá ser o contribuinte? A lógica de alguns empresários é apenas o lucro imediato, sem pensar no amanhã. E ainda atualmente, se coloca decisões no sábado para poder ter contestação apenas na segunda, quando estragos são feitos sem menor pudor. Advogados com isso, terão que trabalhar 24hs por dia. É aquele momento em que o jogador faz falta clara no adversário e levanta as mãos em sinal que não teve culpa de nada.
Assim como todo apoiador de Bolsonaro atende a qualquer
chamado de seu ídolo, seja falando uma barbaridade, voltando atrás e seguindo
esse fluxo, o cristão comemora a decisão de Nunes, para liberar missas que
lotaram o fim de semana. Hoje em dia, o lobby das escolas e igrejas
pentecostais é muito grande junto ao poder federal. E como não ouvimos mais a
ciência, você restringe estádios, teatros, shows, mas libera escolas e missas.
Qual a lógica? Apenas apoio político. Apenas não quer entrar em atrito com as
bancadas que mais crescem no congresso: Escolas particulares e igrejas pentecostais.
Poderia dizer que o jogo já entra com desvantagem com um time mais forte que o
outro.
Agora, só falta determinar um aumento no percentual do
dízimo para 20%, afinal, durante a pandemia, subiu o botijão de gás em 13%,
gasolina 41,3% e o diesel, 34,2%, luz 12,4%
e água 1% e ainda querem privatizar. Para os ricos, aumentos são indiferentes,
apesar da época da Dilma, os mais ricos bradavam seu ódio ao governo pela
gasolina ser R$ 2,69. Hoje, o preço da gasolina pode atingir ao patamar de R$ 6
e nada será feito. Talvez haja um temor, por parte do governo de vacinar a
população por um levante popular contra Bolsonaro nas ruas. Esse temor, já está
sendo avisado por políticos sul-americanos faz tempo. As políticas neoliberais
já são um atraso de vida para a população, que tem que lutar diariamente pela
vida, quanto mais, a política fascista empregada pelo governo. Isso é como
aquele juiz que tem preferencia por um time, ou recebeu a famosa mala branca
que no passado preocupava tantos dirigentes.
“E Jesus, vendo a multidão, moveu-se de íntima compaixão
para com eles, e curou seus enfermos”. O que juristas desconhecem é que não há
cura sem compaixão. Lotar igrejas agora é a antítese da compaixão. Estamos
vivendo a segunda onda mais forte que a primeira, com picos elevadíssimos de
contaminação e mortes, enquanto a Europa se prepara para a terceira onda. Temos
ainda uma projeção negativa da escalada no Brasil, feita pela Universidade de
Washington, dizendo que em três meses, o
Brasil deve chegar à marca de 560 mil mortes, 100 mil será só em Abril. Será
que está na hora de abrir exceção com templos e missas? A Associação Nacional
de Juristas Evangélicos se baseou em que para reabrir tudo? O Rio de Janeiro,
hoje, é um dos Estados com maior índice de mortalidade pelo COVID no Brasil,
está com baixo índice de vacinação, explodindo com festas clandestinas e
desrespeito as normas de segurança. Mas os tempos reabriram com capacidade
total. O padre Padre Julio Lancellotti: “A essencialidade da liberdade
religiosa é o testemunho.Não é ir no templo.Tem muita gente que vai no templo e
não testemunha Jesus. Vai no templo para testemunhar o cofre. Vai no templo
para testemunhar o lucro, não Jesus”. Tentar forçar a abertura dos templos é
como escalar aquele jogador de forma irregular e achar que ninguém vai
perceber.
A despeito das igrejas que precisam do dízimo, vejo que
muitos espíritas estão fazendo suas reuniões online, assim como estudos e
celebrações especiais, com adesão plena e conteúdo elogiado por todos. E as
doações também são online pelo celular, evitando contágio. O bom exemplo já
merece a vitória de 1 X 0 contra a pandemia, afinal a Primeira Epístola de
Paulo aos Coríntios, 3, 17-18: o templo de Deus é o corpo do homem. Violá-lo é
ofender a Deus.
Lançamento do Boto 2 na imprensa
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Quem é você no rolê do feriadão?
Quem é você no rolê do feriadão? Estamos na pior fase da pandemia e se um lockdown, por mais que seja a melhor situação para aplacar a disseminação, optamos pelo feriadão. Mas um feriadão com restrições. A ideia seria parar de circular, passar esses 10 dias em casa e baixar as internações e mortes pelo país, especialmente no Rio de Janeiro que no momento está em franco aumento de casos. Você pode até entender que o voo das borboletas na China pode acabar provocando um furacão no Caribe, mas não entende que a aglomeração nas ruas pode provocar mais mortes por COVID. Por isso, você pode tentar se identificar de quem é você no rolê do feriadão.
O perverso - Para Psicanálise, o perverso é aquele que
possui um modo de funcionamento psíquico baseado na perversão. Freud irá
abordar como um desvio sexual, mas se identifica como aquele que
deliberadamente quebra regras ao seu bel prazer e que prejudica uma ou muitas
pessoas. Faz por maldade. Inconsequente. 10 dias de feriado, tendo os índices
de temperatura aumentando, as praias proibidas sujeitas a multas para quem
descumprir ficando na areia ou no mar e o que se vê é desrespeito geral. Nem os
carros da polícia estacionados, barreiras e fiscalização na faixa de areia,
impedem a pessoa de entender o momento por qual passamos atualmente. Muitos desse
grupo, não acreditam que isso resolverá o problema da doença, então viajarão. E
essa aglomeração contribuirá para o aumento do índice de infecção.
O sádico - consiste em violência, em exercício de poder
contra outra pessoa tomada como objeto. Muitos empresários que forçam a volta
ao trabalho de todos os setores, enquanto fazem seu período de recesso em suas
casas de campo ou de praia. Pensam no lucro e em si próprio, mesmo com a
pandemia nos indicando que devemos nos unir para vacinar e ter medidas de
distanciamento social adotadas a todo custo. O empresário do setor de ônibus
reduz o transporte público e a maioria das empresas não param durante esses 10
dias. O mesmo acontece com aqueles que deliberadamente se aproveitam para
praticarem as festas clandestinas, churrascos, shows sem pensarem o quanto
estão disseminando mais e mais uma doença que está se transformando em uma
doença pior. No domingo, fiscais interromperam uma festa clandestina com 150
pessoas em Botafogo. Para ocultar o endereço, o evento oferecia até transporte.
O incauto – É aquele que até faz a quarentena de maneira
condizente. Se fizer uma visita a um parente, é o que faria de diferente da
quarentena total. Mas mesmo com cuidados quase perfeitos, é pego fazendo o que
não deveria com tratamentos preliminares, baseado em crença ao presidente e não
na ciência. Acaba tomando Cloroquina, Ivermectina e outras medicações que
acabam tendo efeitos colaterais mais fortes e prejudiciais, levando a alguns
casos a morte. Muitos são pessoas boas, alguns não têm condições financeiras,
mas que foram mal orientadas pelo governo federal que incentiva o uso de
medicamentos que não são eficazes e acabam por levar mais pessoas aos hospitais
que já estão no seu limite máximo de atendimento.
O certinho – Esta categoria, do qual pertenço, que acata as
determinações, faz o essencial nas ruas como mercado e farmácia, são
ridicularizados pelos anteriores. O certo é visto como o errado. Aquele que
quer a volta do normal o mais rápido possível, que não quer a morte de
inocentes, que chora o sofrimento de outrem nos CTIs, acabam sofrendo pela
irresponsabilidade dos outros.
Nesse contexto, iremos demorar a solucionar esse problema e
ainda conviver com pessoas defendendo a economia até o fim da vida. Ser
neoliberal é nunca ter que pedir perdão.
Exposição entre Lobo e cão





