Não faz muito tempo, com o êxodo humano em grandes
proporções, uma crise humanitária devastadora, criada por guerras, que
mostraram cenas em fotos e compartilhadas por todos, de barcos abarrotados de
migrantes. Muitos emocionados nas redes sociais, ficavam revoltados mostrando a
aflição de muitos povos, fugindo de suas realidades e sendo barradas por alguns
países, em alguns humilhando essa corrida pela vida, outros mostrando o farrapo
em que se tornou os lugares atingidos. O Brasil, sempre se orgulhava de estar à
frente de problemas humanitários, com ajudas reconhecidas ao Haiti pela ONU.
Mas, nesse momento tudo foi para o ralo, com as cenas lamentáveis em Roraima.
Quando a realidade está longe, é fácil ter esse tipo de
emoção, mas quando chega na sua porta é que verificamos realmente se é um
discurso vazio. A conta da língua sempre chega algum dia a quem profere. Basta
ler A língua também é um fogo, diria Tiago. Nos últimos tempos, vemos a ação
disseminada de ódio se alastrar pelo país, como nunca foi vista. E ganhando
forças em vários níveis de atitudes na sociedade, xenofobia, preconceito,
desrespeito, ataque cego as artes, são alguns dos alvos de grupos financiados
que disseminam a raiva desmedida e vazia. Alguém compartilha uma indignação
desproporcional, muitos comentam e a cada postagem você percebe um aumento na
fúria das palavras. Nenhum se dá ao trabalho de checar a informação ou debater
o que foi falado. Apenas quer mostrar o quanto está com raiva.
Lembrando que alguns grupos que fizeram o mesmo em redes
sociais, por interesses partidários, que independente da sua opinião se gosta
ou não, levaram à prisão, por suspeitas, de ter benefícios em um tríplex, que
aliás, depois de uma investigação de meses, a Polícia Federal relatou que o apartamento
não era do candidato. Boa parte da rejeição criada, para abaixar seus números
nas urnas, foi montada nesse grande conluio, que como disse Romero Jucá, com
Supremo e tudo, ter uma frente incessante de ódio para o candidato. Criou-se
uma escola, que despertou o ovo da serpente. Da mesma forma, como foi usada em
outros países e o nazismo está tendo visibilidade novamente. Estes grupos que
se auto intitularam apartidários, em favor do povo, estão todos se
candidatando. Para todos os governantes latino-americanos, também criaram essa
mística de derrubada através da informação. Sabia, que existem mais brasileiros
morando na Venezuela, que os Venezuelanos no Brasil? Diz o relatório
internacional de Migração de 2017, que o país é dos melhores acolhedores de
migrantes. Apenas existe o ódio, sem entender realmente o que acontece,
acobertado apenas por informações que você recebe, da mesma imprensa que apoia
esse ódio desenfreado.
“A linguagem opressora do discurso de ódio não é mera
representação de uma ideia odiosa; ela é em si mesma uma conduta violenta, que
visa submeter o outro, desconstruindo sua própria condição de sujeito,
arrancando-o do seu contexto e colocando-o em outro onde paira a ameaça de uma
violência real a ser cometida – uma verdadeira ameaça, por certo”. - Judith
Butler
Nessa onda da nova ORDA MUNDIAl, tenho vergonha do que
aconteceu com os migrantes da Venezuela em Roraima. Inadmissível. Cenas de
barbárie e falta de humanismo de uma turba alimentada por esse ódio criado,
ainda se aproveitando de discursos montados sem menor embasamento real. São
cenas que jamais achei que iriam acontecer no nosso país. Tacaram fogo no
galpão onde tinham pais, mães e crianças! O governo atua apenas como reativo.
Sempre. A situação já se anunciava, não só no país, mas também nos vizinhos. E
se preparar é o dever. Humanidade é isso. Acolhimento e atendimento caso a
caso. Mas o discurso está solto para todos repetirem. O ódio, se alimentou e
não tem mais vergonha de mostrar a face.
Recentemente, um Procurador disse que seria importante
queimar os livros de Paulo Freire em praça pública. Alguma lembrança do
nazismo? Em 1933, houve uma grande queima de livros em praça pública, de
escritores inconvenientes ao regime. Stefan Zweig, Thomas Mann, Sigmund Freud,
Erich Kästner, Erich Maria Remarque e Ricarda Huch foram na época.
Existe sensatez?
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