quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Chores por mim

Nada contra as grandes reportagens de atentados que dizimam dezenas de pessoas, como no caso do atirador solitário nos Estados Unidos. Mas não posso deixar de pensar o quanto a sociedade é seletiva e somos obrigados a sentir pena, apenas de nossos colonizadores e seus aliados. Essa mesma sociedade que escolhe quem se comover ou não. Me vem a imagem nesse momento do filme Laranja mecânica, de Stanley Kubrick. Nele, é apresentado a tentativa de reabilitação através do condicionamento psicológico. E agora, imagino uma grande turba, sendo recondicionada a ver e concordar com apenas com o que está sendo vendida para eles.
Esse preambulo todo para dizer o quanto quase 300 mortos na Somália, não mereceu nota em algum jornal, transmissões ao vivo, discussão com especialistas ou espaço para discussão sobre os rumos da explosão de violência por grupos terroristas e seus desdobramentos. Nada. Você percebe o quanto você nem se importa com isso, desde que não seja em Londres ou Paris? Na época dos milhares de imigrantes invadindo a Europa fugindo das guerras e como foram tratados e estão sendo nesse momento, não levou a lágrimas sequer da imprensa ocidental. Não nos movemos nem ao mesmo em apoio pessoal nas redes sociais, mostrando não só essa seleção, mas no mínimo, empatia com a tragédia por outros seres humanos. Nada.
Muitos até podem muito bem dizer que atentado na África é todos os dias, com fome, pobreza extrema, guerra civil, extermínio entre outros interesses econômicos, daí seu desinteresse por parte da imprensa no país. África não dá audiência nem gera comoção. Ela sofre em silêncio sempre! Que tipo de seres que dizemos ser que pede ajuda ao próximo e se diz religioso, quando não abraça qualquer irmão sem ver raça ou credo? A cada ser humano morto corresponde uma biografia, uma história. Ao contrário do atentado nos EUA, que morreram dezenas de pessoas porque o caçador acertou o tiro em uma população branca, a razão para não se emocionarem com a população afro parece complicada, mas é simples: Seletividade.
Até o momento, a única demonstração de solidariedade internacional foi de Paris, onde a Torre Eiffel foi desligada em respeito ao acontecido. É o bastante? Está longe. Muito longe. Precisamos de Je Suis Mogadishu! Meu coração se parte e nenhuma celebridade internacional fala sobre isso, nenhuma nota é divulgada e não é possível ter a notícia comentada nas redes sociais. Daí você entende por que a extrema direita está crescendo pelo mundo, com sua intolerância e por vezes não se importando com a dor dos mais fracos e oprimidos, pelo contrário até querendo que dizimem todos do continente. Não se esqueçam: Toda vida é importante.
Por outro lado, é preciso coragem e sangue frio para abater a pobreza no país. A Somália está envolta em uma crise política sem precedentes, com a milícia Al Shabaab, um grupo islâmico ligado à rede terrorista Al Qaeda, que costuma escolher seus alvos em Mogadíscio, está envolvida no atentado e em guerra direta aos grupos que tentam controlar o poder, onde desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi destituído e deixou o país sem governo. As secas agravam a fome neste local que já foi considerado o país mais pobres do mundo. Porque tanto interesse em dizimar um país e que ele não apareça nas grandes mídias? Itália, França e Reino Unido sempre disputaram o pais pela sua importância estratégica e comercial. O porto mais próximo da Índia e parte da Ásia. Haviam Sultões e era um país próspero, mas os interesses comerciais estavam acima da população, que sempre resistiu com levantes constantes a usurpação de suas riquezas e dominação. Atualmente a guerra civil para o controle do país está dizimando o que resta da já castigada nação.   
Por um mundo onde possamos realmente conviver com o próximo, com amor no coração, respeitando o ser humano é que eu peço nesse momento:

Solidariedade às vítimas na Somália.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Encontro Biblio Idéias: Como viver de arte - palestra de André Barroso





Momentos do encontro no Biblio Idéias, na palestra: Como viver de arte - com André Barroso

Catalães, uni-vos

Séculos e séculos, mostram lutas apogeus e decadência da Catalunha. Já se passaram, primeiros-ministros, presidentes, ditadores e reis. Obviamente, como diria o mestre Millôr, os donos de comunicação, duram mais tempo. Recentemente, tivemos uma crise sem precedentes no país, que estava levando toda a Espanha a bancarrota, assim como estava acontecendo com Portugal e varreu a Grécia numa crise inimaginável. A Espanha tem essa atmosfera interessante. Estudei nos Pirineus, em Navarra, ao Norte. Era necessário realmente a presença da língua espanhola nas placas e indicações do mobiliário urbano. Eles possuíam uma língua própria que eu jamais poderia aprender naquele momento, além de hábitos diferentes. O que mais gostei foi de estar na balada e um certo momento ter o momento de música Flamenca. Foi lindo! Mas voltando ao foco, o mesmo acontecia nesta região de Barcelona. Língua própria e hábitos diferenciados. Falavam normalmente em espanhol com todos e quando havia necessidade de um comentário por trás dos panos, recorriam a língua Catalã. Uma proteção devido a séculos de dominação espanhola.
"Não passarão!" "Não passarão!", "Não passarão!" O slogan antifascista da Guerra Civil espanhola foi repetido em todo momento. O Espanhol sempre fala mal de seus compatriotas, mas em sua história, a ocupação foi sempre muito sofrida. Podemos lembrar a ocupação mais antiga registrada foram pelos Gregos e Cartagineses que logo depois reivindicada pelos Romanos na Segunda Guerra Púnica. Logo após o declínio romano, as terras, que foram anexadas a Terraco, sofreu sua degradação e esquecimento. Já na Idade Média, os Visigodos invadiram os espaços demarcados anteriormente descrita e foram dominados até o século VIII. Somente no final do século seguinte, Carlos, "o Calvo", nomeou Vifredo, o Veloso Conde de Barcelona e Gerunda, dentro da reação carolíngia. A Catalunha feudal foi estabelecida. Com o casamento do conde Raimundo Berengário IV de Barcelona com Petronila de Aragão formou-se como confederação a Coroa de Aragão, de que Raimundo se torna Príncipe-Regente e mais tarde como o Principado da Catalunha. O caldo começa a curar com a decadência do reino após 1469, quando as regras atribuídas aos reinos não se encaixavam aos mesmos de toda Europa. Envolveram-se num conflito, a Guerra dos Segadores, de 1640 até 1652, contra a presença de tropas de Castela durante a guerra dos trinta anos. Tudo começa a piorar, quando durante a Guerra de Sucessão Espanhola, a Catalunha apoiou o pretendente austríaco no Tratado de Utrecht, deixando os catalães abandonados. Mesmo assim, no século XIX a Catalunha representa a força industrial da Espanha. É a primeira na industrialização. Já com a proclamação da II República Espanhola, em 1931, reconheceu-se a autonomia da Catalunha, que foi perdida logo em seguida Com a derrota dos Republicanos na Guerra Civil (1936-1939). O caldo realmente desandou com a ditadura de Franco.

O resumo da ópera: Um país dentro de outro país. Mais rico, dominado e com uma grande história própria. Muitos catalães viram como um insulto que o Tribunal Constitucional tenha anulado o Estatuto de autonomia da Catalunha, que dava à região a categoria de "nação". E aí vemos a entrada da imprensa, que citei no começo do texto. Os meios de imprensa aliadas as escolas, precisaram de alguns anos de atividade para atingir os jovens que estavam precisando de uma nação. E se aparece na imprensa fica como estopim para que todos possam redirecionar suas atenções. Lembrando que a imprensa manda na economia, manda nos rumos de decisões políticas, mandam no surgimento da nova namoradinha do país e de como você deve se comportar. Nosso grande irmão ainda é intocável. Ele está apoiando o referendo, mesmo o país não estando. O pedido é justo? Claro que sim e apoiado por 99% da população. Não sabemos ainda o interesse da mídia pelo lado certo das reivindicações, há de se esperar. Mas o interessante nisso é como sempre é dado um aspecto maniqueísta da questão. Vimos pela mídia a truculência dada pelos policiais espanhóis em cima do referendo de independência, que serve para nos emocionarmos com os velhos espancados e jovens presos e o mundo apoiar os Catalães. E nada melhor do que colocar a Espanha na parede por ações impositivas através da violência. Esse é um recado do mundo contra os governantes atuais, movidos pelo capital: Não passarão! 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Reclamações contra o fim do mundo

Mandei minha indignação, meu pequeno texto de pé quebrado, com pontuações bem devidas, até onde não havia. Não obtive um mirrado verso torto das minhas reclamações acerca das inúmeras datas marcadas para o fim do mundo que não foram cumpridas. Muitos agora são cheios de prudência, são inundados de memes e ainda sofrem de severas advertências. Existe alguma tara pela destruição total na sociedade? Ou o não cumprimento do evento, mais de sete vezes, é que compromete a sanidade das pessoas? Essa última, estamos vivenciando diariamente em vários setores de nossas vidas, seja na política ou em discursos de empresas.
Se pensarmos bem, tudo tem começo, meio e fim. As mais antigas religiões, em diferentes pontos do planeta e em diversas épocas da história, escreveram essa história da humanidade com o início e o fim. As histórias se convergem a pontos muito comuns sempre. Para a ciência também. Ela fala no fim do mundo, quando o sol se tornar uma gigante vermelha, daqui a 5 bilhões de anos. 5 bilhões de anos. Podemos aproveitar bastante até lá, mas de qualquer forma, os cientistas já estão impulsionando o desbravamento espacial, onde em breve vamos colonizar Marte e logo depois o universo será o limite.
Temos notícias da previsão do fim do mundo em tempos imemoriais. Podemos destacar em 389 a.C, que fizeram a associação a queda do império Romano. Temos o famoso calendário Maia, que a história da humanidade acabava em 21 de dezembro de 2012. Rendeu apenas um filme catástrofe de Hollywood. A interpretação errônea de alguns estudiosos, levou a histeria nesse período, mas outra linha de trabalho, tinha revelado que a tradução não foi correta e dizia que na verdade estaríamos entrando em uma nova era de mudanças físicas e espirituais e que a roda da história recomeçaria seu curso natural, causando o retorno de eventos já experimentados no passado.
As religiões chamam de diferentes nomes o mesmo evento, com abordagem diferenciadas, mas no fundo, todos iremos sucumbir em um momento. Zaratrusta, na antiga Pérsia, criou uma doutrina chamada Zoroatrismo, também conhecida como masdeísmo. Seus fundamentos influenciaram o judaísmo, o cristianismo e até o islamismo. Nele vemos o evento Frashokereti.  O sol ficaria manchado, plantações morreriam, tudo seria seguido por uma imensa nuvem escura que cobriria o mundo e criaturas maléficas cairiam do céu. No final, um cometa chamado Gochihr vai colidir com o planeta criando um rio de lava que todo mundo terá de percorrer. Só os crentes na religião não vão sentir nada, mas os pecadores vão derreter em agonia eterna. No fim, quem sobreviver passará a ser imortal e todo o planeta falará a mesma língua e viverá em harmonia para sempre. Do outro lado, temos o Kali Yuga, no hinduísmo, é o período final de um ciclo de quatro etapas que o mundo atravessa, e estamos vivendo nessa fase agora. Segundo as escrituras, como o Mahabharata e o Bhagavata Purana, o Kali Yuga consiste em uma era de crescente degradação humana, cultural, moral, social, ambiental e espiritual. Governantes matarão mulheres e crianças e bárbaros espalharão pragas, fome, doenças, mentiras, falsas religiões e grandes secas. No final, todo mundo morre. Logo depois, o ciclo pode começar denovo, chamado de Satya Yuga, quando a Terra será habitada apenas pelos justos e as pessoas viverão por 10 mil anos. Até na cultura indígena Hopi, encontramos esse tema. Na mitologia Hopi, a Kachina é um espírito que vai mostrar a vinda do início do novo mundo, aparecendo como uma estrela azul. É descrita como o nono e último sinal antes do "Dia da Purificação". Uma catástrofe em que tudo será destruído, mas no final, haverá purificação do planeta Terra.
Muitos veem que não existirá um fim completo, mas uma renovação em que os maus deixarão de existir e apenas aqueles crentes e purificados, ficarão para transformar o planeta de todas as mazelas da alma humana. A torcida por um cometa se justifica nisso, mas será que quem está nessa torcida está em condições de estar ao lado dos bons? Será que oram e vigiam?  Até o fim do mundo iludiu a todos com o não comparecimento pela nona vez. Por isso, agora tudo é encarado com grande diversão. Se acontecer, ótimo, mas sabe que não vai acontecer agora. O fim do mês hoje assusta mais do que o suposto fim do mundo real. Mas como o povo precisa dessas paranoias para se sentir acolhido pelo próximo na mesma dor, aguardemos.
Ansioso para o próximo fim do mundo, esse foi suave. Coloco abaixo, a letra muito pertinente da música do Moska e meu amigo Billy Brandão:
Meu amor o que você faria?
Se só te restasse um dia
Se O mundo fosse acabar
Me diz o que você faria?

Ia manter sua agenda
de almoço hora apatia
Ou ia esperar os seus amigos
Na sua sala vazia

Meu amor o que você faria?
Se só te restasse um dia
Se O mundo fosse acabar
Me diz o que você faria?

Corria pra um shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não da tempo

Pro tempo que já se perdia

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Andre Barroso & Banda - Somente eu





Nova música disponível nas principais plataformas digitais



Artista: Andre Barroso & Banda - Música: Somente eu

Disponível:
Spotify -
https://www.bit.ly/SomenteEuSpotify
Google Play -
http://bit.ly/SomenteEuGooglePlay
Deezer -
http://bit.ly/SomenteEuDeezer
Itunes -
http://bit.ly/SomenteEuItunes

Letra e Música: André Barroso
Produção: Gilber T e Bruno Marcus
Gravado, Mixado e Masterizado por Bruno Marcus no estúdio Tomba Records
Distribuição: Café Forte Musica Digital / Fonoastronauta / Sony
Lançamento: 2017

Produção web: RM Mídias

Contatos
contatoandrebarroso@gmail.com
https://www.facebook.com/andrebarroso...
https://www.instagram.com/andrebarros...
https://www.youtube.com/channel/UCzkn...

Somente eu

Adoro suas risadas
me quebro no seu choro
Somente eu sei...

Quando você me abraça
Para receber o meu carinho
Acho que não consigo disfarçar
O que somente eu sei...

Um sentimento que faz bem
Quando se torna inspirador de alguém
Mesmo sendo um desejo...
Que somente eu sei...

Tão distante é o seu olhar
Tantas outras distrações
tão sendo assim mesma
com inverdades não
consigo disfarçar
o Que somente eu sei...
um sentimento que faz bem
Quando se torna inspirador de alguém
Mesmo sendo um desejo...
Que somente eu sei...

consigo disfarçar
o Que somente eu sei...
um sentimento que faz bem
Quando se torna inspirador de alguém
Mesmo sendo um desejo...
Que somente eu sei...
Que somente eu sei...
Que somente eu sei...
Que somente eu sei...
Que somente eu sei...
Que somente eu sei...

Fergalicious

Absolutamente, o brasileiro não é perfeito. Antes, tínhamos vergonha alheia, pelos produtos com falta de qualidade e no momento em que temos empresas que competem no mercado mundial com qualidade ou melhor, o sistema se volta contra eles. Temos os ignorantes que conseguiram voz ativa na internet e saíram das sombras, quebrando de vez o ovo da serpente, enquanto as vozes críticas se calaram. Mas um fenômeno recente está tomando conta, sem distinção de alvo: O linchamento virtual. A maioria das vezes, quem faz posts de ódio ao próximo, está não só sendo negligente, mas de uma certa forma, estão reproduzindo carências da infância, raiva acumulada, falta de amor no passado e acabam tendo voz ativa nas redes sociais, pelas curtidas e atenções dadas ao que foi falado. Esse amor e comentários dados aquele comentário maldoso ou odioso, acabam preenchendo aquela falta que fez em um passado desse sujeito que se sente confiante em continuar a macular tendo pouca razão ou nenhuma, não importa. Importa para ele ser ouvido. Um dos esportes preferidos destas pessoas, e muito difícil de superar no mundo, é a criatividade nacional em apelidar esse ou aquele.
Se o cara é magro, dizem que é, Macarrão, Vara Pau, Louva Deus, Limpador de Mangueira..se é baixo, vira Carcereiro de Gaiola, Piloto de Carrinho da Hot Whells, Agricultor de Farmrville, Goleiro de totó, Líder comunitário de Playmobil e etc. Conheço até uma pessoa que era magra, alta e vivia com um casaco amarelo. Qual o apelido que foi dado a ele? Banana. Ele adotou esse apelido com tanta força que as pessoas mais próximas não conhecem ele pelo nome da carteira de identidade e sim pelo apelido. Banana é boa gente e tem uma filha linda. Quando tudo começa e ficar estranho? Quando você vê inserido nas palavras muito raiva e pré-disposição a um ato de violência.  Recentemente, o último ato de raiva foi contra a Fergie. A apresentação foi recheada nas redes sociais com atos de extremas maldade contra a cantora no palco Mundo, do Rock in Rio. Foi um verdadeiro linchamento. Em todas as apresentações, estamos vendo uma enxurrada de críticas, algumas elogiosas e outras nem tanto, mas parece que existe um verdadeiro desejo para atacar sem papas na língua. Houve até uma classificação que querem usar deste dia em diante. 'Fazer a Fergie': quando você não se prepara para o seminário, o DataShow dá problema, o vídeo que você baixou não abre, mas você segue em frente com a apresentação.

A Fergie vem do Black Eyed Peas, um grupo popular de muito sucesso nas grandes mídias. Evidente, que já vem com uma carga de expectativa em relação ao show. Quando a técnica falha, como no caso do bluetooth pessoal da cantora com os microfones. Isso aliado aos Playbacks, foram reparados mais do que os acertos. Quem é músico, sabe muito bem do convívio constante em shows com problemas de retorno, sons mal equalizados e outros problemas que fazem parte desse dia a dia. No caso de shows mais frequentes e pequenos, você sabe que vai passar por isso e tem que rebolar, para que o público não perceba, nem fique triste com a apresentação. Imagina em um show com milhões de pessoas assistindo? E ao meu ver, ela se saiu muito bem. Saindo de recente separação na vida real, se saiu simplesmente como uma verdadeira diva no palco. O carinho de quem estava presente e a sua silhueta linda, me recordando do impacto que provoca uma Marilyn Monroe, foram sempre presentes, mesmo sem poder cantar na maioria das músicas. No geral, Fergie é uma das grandes cantoras do pop mundial e não precisa mais provar isso. Tenho uma grande admiração pessoal por ela, e pela disposição em gravar com pessoas tão distintas como Sérgio Mendes [que é admirado, diga-se de passagens, pelos maiores músicos mundiais, fazendo com que o encontro seja marcado nas redes sociais, como o encontro com David Coverdale (Whitesnake)] e Slash. E somente as grandes personalidades, e já falando fora do mundo musical, são tão generosas, ao ponto de convidar o Dream Team do Passinho e Pablo Vittar. Aliás, a multidão se enlouqueceu com a presença das duas. Um verdadeiro gol de placa. Uma pena a revolta gratuita.
Precisamos rediscutir o que está acontecendo, de uma forma que as pessoas consigam entender que fazem muito mal a pessoa ofendida, mas ainda mais para quem é o ofensor. Toda energia de fúria contra seu irmão, se volta contra você. A vida é cíclica. Precisamos estudar mais profundamente esse comportamento e tentar aprender por que existe uma massa tão grande de pessoas infelizes no mundo. Sexismo gratuito? Inveja? Nunca vamos saber todas as mágoas envolvidas, mas como diria meu amigo e excepcional Rodrigo Fonseca: Em Niterói, as portas estão abertas para Fergalicious
Nota: Troquei Bonsucesso por Niterói, por motivos interesseiros mesmo.



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Gravitações sobre a censura na arte

Já pensaram em um período onde obras de arte são destruídas, apenas por que não estão dentro do padrão de um grupo de pessoas ou que não concordam com que está exposto? Não estamos falando dos Hunos ou Talibãs. Estamos falando de Brasil. Hoje. Vamos primeiro recordar, que não se trata da temática, pois em outros tempos, tivemos a mesma situação.
No período do nazismo, Serena Lederer, um mecenas de arte, colecionou catorze das pinturas de Gustav Klimt. O artista era um grande simbolista austríaco, que tem, entre suas obras, uma famosa pintura retratando um beijo. Lederer enviou sua coleção ao Museu Immendorf Schloss para se manter seguro neste período. Porém, o partido nazista resolveu incendiar o museu. Não só a coleção, mas outros trabalhos de um período de 1898 e 1917, assim como afrescos no teto do museu foram destruídos. Isto tendo Hitler como pintor amador e amante das belas artes, além de estimado cerca de registrado o roubo de estimado 750 mil obras de arte pelos alemães no período da guerra.
Quando Adolf Hitler tornou-se chanceler da Alemanha, uma das suas primeiras ações foi a "purificação da cultura alemã", isto é, queima de livros e rotulagem de arte degenerada. Arte degenerada para eles, seriam qualquer manifestação artística moderna. Qualquer artista, passado ou presente, que não foi visto como tendo sangue ariano foi considerado degenerado. O rótulo foi colocado em muitos pintores alemães modernos, como Ernst Kirchner, que foi considerado como degenerado e teve todas as suas obras vendidas ou destruídas. Kirchner viria a cometer suicídio em 1938. Adivinha quais artistas foram considerados degenerados e expostos como bárbaros para a arte? A lista vai de Alexander Archipenko, Marc Chagall, James Ensor, Henri Matisse, Pablo Picasso até Vincent van Gogh.
Uma das obras, considerada degenerada de Van Gogh, era o Retrato do Doutor Gachet. Essa obra foi roubada do museu Städel, em Frankfurt, e iria ser leiloada por uma bagatela, mas quando Hermann Göring, líder nazista, percebeu o valor da obra, decidiu vender e fazer um lucro pessoal.
Pense bem, não tem justificativa para um ato vândalo contra uma obra de arte. Aliás, vândalo, vem dos povos chamados vândalos que fugiram dos hunos para o norte da África. Controlavam o oeste do mar Mediterrâneo com suas frotas piratas e em 455, saquearam e destruíram obras de arte em Roma. Seu fim foi em 533, com a invasão dos bizantinos. Eram povos primitivos, com sons de um idioma gutural (sons produzidos pela garganta). O que havia de comum entre os dois? A ignorância perante toda discussão que um trabalho de arte quer passar. Ignorância, falta de informação, falta de discernimento...precisa justificar através da força, por que para os fundamentalistas é preciso censurar, impedir e destruir o direito de ver.
Pense por que você está concordando com isso ou não. Se você concorda, você está se posicionando a favor da destruição de monumentos como o Talibã faz detonando arte milenar, patrimônio da humanidade da mesma forma. Nesse momento, você está fazendo o mesmo que os nazistas fizeram com Picasso, nesse momento com Volpi, Portinari, Flávio de Carvalho, Ligia Clark, Alair Gomes e Adriana Varejão, artistas consagrados que estão numa temática de discussão sobre proposta que trate de diversidade, gênero, questões de comportamento, temáticas LGBT. O título que dá a exposição, chamada Teoria Queer ( que é  uma palavra inglesa, usada por anglófonos há quase 400 anos), que afirma que a orientação sexual  e a identidade de  gênero são o resultado de uma construção social.  Temas atuais até tratados em novelas. A intolerância e o ódio, tornam a exposição importante, pois mostra o quanto ainda estamos precisando de educação no nosso país. Educação que passa não só pelo comportamento, mas pelo gosto do aprender, do saber, do questionar, do discutir. Estamos sob a égide de um discurso moralista baseado na intolerância, no preconceito e na inveja. Tempos tristes.
Pense certo. O discurso moralista não ficou nem no debate, foi promovido para um ataque de ódio desenfreado, atacando obras com vandalismo sem consequência, como as igrejas fundamentalistas que atacam imagens de outros cultos e jogam pedras em seres humanos. O discurso moralista é provocado pelos mesmos que tem teto de vidro. Aqueles que clamam por não ter corrupção e são flagrados corrompendo. A índia é o país onde o Kama Sutra está instalado em todo país a milênios. O Templo Khajuraho é o lugar para a maioria das representações do tipo de orgia. Está lá escrito em Sânscrito até hoje intacto, sem destruição, para todo mundo ver, de criança a adulto. Michelangelo pintou a transa de Zeus com a rainha de Esparta Leda transfigurado em cisne. A temática é a mesma, mas estamos tranquilos perante a obra, que na época era transgressora e colocava os mitos em questão. Quem não gostou no período poderia tacar fogo na capela Sistina? Hoje uma referência e tema de estudos. Graças a ele, a ciência do estudo do comportamento está preservada. Temos referencias e elementos para debates. A falta de debates faz com que muitas religiões censurem o que você deve pensar ou não. E se você for ver, você encontra na Bíblia, incesto, degolamentos, adultérios, apedrejamentos, crucificações e até um extermínio em massa da humanidade. A menos que você queira viver em uma nova idade média, com fogueiras torrando aqueles que apenas se opõe ao discurso oficial ou dos moralistas de plantão. Prefiro pensar que esse episódio pode trazer um novo debate e possamos corrigir atitudes. Restringir o que eu ou você possamos ver, se chama censura. E só há uma atitude aceitável: ser contra o fim da exposição. Assim começa os estados de exceção.
Pornografia, mas pornografia mesmo, foi o lucro da instituição bancária no 1º semestre: R$ 4,615 bilhões, aumento de 33,2%, Maior da história.
Então pensem bem.