quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Veneno nosso de cada dia

Semana passada, um ex-alto responsável das forças croatas da Bósnia morreu depois de ter ingerido veneno na sala de audiência ao vivo do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia em Haia.
Slobodan Praljak, rejeitou a condenação e depois ingeriu veneno de um frasco que tirou do bolso. Não foi a primeira vez que vemos um suicídio ao vivo pela TV, podemos lembrar de alguns casos como da Christine Chubbuck, que cometeu suicídio e apresentava um programa diário de televisão na Flórida que tratava de assuntos da comunidade. Este foi muito chocante na década de 70, pois além de muito conhecida, convenceu os diretores a fazerem um programa sobre suicídio. Teria dito antes de atirar em si mesma:  “Seguindo a política do Canal 40 de brindar seus telespectadores com as últimas notícias de sangue e vísceras a cores, vocês estão prestes a ver outra em primeira mão: uma tentativa de suicídio”. Outra muito famosa, que está na cabeça de muitas pessoas nos dias de hoje, foi do acusado de corrupção, Budd Dwyer que cometeu suicídio com um tiro na boca durante uma entrevista coletiva para uma televisão da Pensilvânia. O uso de venenos ou armas para suicídios ao vivo são os mais comuns e mais eficientes, ainda assim chocantes pois mostra uma forma deliberada de tirar a própria vida de forma rápida e menos dolorosa. Não existe justificativa, ao meu ver, que uma pessoa atente contra a própria vida, mas as realidades de dados mostram que 5,7 a cada 100 mil cometem esse suicídio por ano no Brasil. É muito! As causas são diversas, mas os números nos mostram um alerta vermelho.
Tivemos um período, onde A contracultura e a geração Beat, tiveram uma associação direta com drogas lisérgicas e álcool, promovendo um suicídio lento e doloroso. Escritores como Ginsberg e Borroughs faziam uso e diziam que suas criatividades estavam ligadas aos agentes químicos. Há certamente um mal-entendido nisso. Toda espécie de drogas acompanharam a humanidade ao longo da história, assim como mamíferos. Na África, numa certa época do ano, Babuínos; Girafas; Elefantes e Hienas vão atrás de uma fruta que amadurece e cai fermentando. Nessa fermentação, é liberado uma quantidade de álcool da fruta Marula. Resumo da ópera: Eles vão para ficar um pouco alterados da consciência. Veja você, animais. O que houve com os Beats, foi um período de experimentação de sexualidade e drogas de forma menos recatada e reservada. O fim de um período de grande repressão na sociedade, coincidiu com a conjunção de um grupo de intelectuais formidáveis no campo da literatura, acabou por generalizar esse tipo de cultura. E é aí que incorre o erro. De qualquer forma, o suicídio de qualquer forma (lenta ou rápida) foi prejudicial com perdas significativas. Quantas obras a mais poderíamos ter acesso se não houvesse esse excesso? Jack Kerouac bebeu mais até quando parou de escrever e morreu de hemorragia em consequência de uma perfuração no estômago.
A associação de drogas no limite foi mais evidente no período do Rock/hippie, onde hoje se estigmatizou a fama do músico de rock. Nossos heróis morreram de overdose. A mesma idéia beatniks foi transladada para o ambiente que mais levava os jovens que queriam mudanças no mundo, no discurso anti-guerra, anti-racismo, além de sexo e rock’n roll. Muitos foram aos limites, abreviando as vidas mais rápido, como os incríveis Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin, Brian Jones, Raul Seixas e em outro período, Billie Holiday. Alguns abreviaram mais rápido como Michael Hutchence que cometeu enforcamento em seu quarto de hotel. Antropólogos mostram que xamãs usavam alucinógenos para indução do êxtase e a comunicação com o além, nada além do limite. O perigo está em pessoas acharem que usando grandes quantidades de drogas irão escrever como Henri Michaux ou tocar como Hendrix. O perigo está em abreviar um possível talento de forma inconsequente.
O grande mal do século está resultante da depressão. Daquele momento em que o fim da vida é o melhor remédio. Pessoas que demonstram felicidade através do humor, se revelam suicidadas como Robin Williams ou potenciais como recentemente Jim Carrey, que deu uma entrevista contando seu drama e pedindo ajuda.
Para esse tema, sempre recorro a ajuda dos universitários, no caso Kardec, que expõe:
E do suicídio cujo fim é fugir, aquele que o comete, às misérias e às decepções
deste mundo?Pobres Espíritos, que não têm a coragem de suportar as misérias da existência! Deus ajuda aos que sofrem e não aos que carecem de energia e de coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados! Ai, porém, daqueles que esperam a salvação do que, na sua impiedade, chamam acaso, ou fortuna! O acaso, ou a fortuna, para me servir da linguagem deles, podem, com efeito, favorecê-los por um momento, mas para lhes fazer sentir mais tarde, cruelmente, a vacuidade dessas palavras. ”



quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Cumplicidade é tudo

Velhíssima essa frase, mas muitos ainda usam. Uma amiga minha ouviu de outra amiga que ela era cumplice de uma terceira amiga. No meu entendimento, a frase já estava dita e é compreendida. Mas no caso dela, não. E como o desentendimento hoje é a briga de amanhã, ela quis entender por que grandes amigas eram cumplices. Cumplices, denota também aquele parceiro para alguma vilania. Bonnie e clyde; Lana Turner e Johnny Stompanato; entre outros, mostram esses exemplos de cumplicidade de jargão jurídico. O dicionário diz: “que ou o que contribui de forma secundária para a realização de crime de outrem; codelinquente. ” Primeira definição.
Segunda a etimologia, a palavra surgiu a partir da palavra conivente. Conivente vem do latim conivere, que significa fechar os olhos para alguma coisa ou ser cúmplice de um ato.  Ela vem da junção de duas palavras: cum e nictareCum é uma preposição que significa “junto com” ou “na companhia de”, e se modificou para con- na palavra conivere. Nictare significa fechar os olhos, pestanejar ou piscar. Com o tempo, ganhou o significado de ser cúmplice. Piscar o olho é uma forma de mostrar cumplicidade com alguém.
Ou seja, usamos até a era moderna como utilizando no sentido de conivência, com conotação negativa e se referindo à qualidade de ser cúmplice de algum ato ilegal. Juridicamente, alguém que foi cúmplice em algum ato criminoso pode ser julgado pelo seu envolvimento na execução do ato em si.
Depois de algum tempo, passou a ser usada como aquele que colabora com outrem na realização de alguma coisa; sócio, parceiro em algo positivo. A conotação geralmente é atribuída a esta atitude positiva demonstrando harmonia, companheirismo e entendimento. Esta foi uma corruptela do termo original, que demonstra um entendimento secreto entre duas pessoas. Isso, deu a palavra uma responsabilidade de entender a conotação real atribuída na frase aplicada. E ás vezes, os dois significados podem gerar no final das contas atribuições abstratas que se correlatam no final.
Esse preambulo para entender as condições de Cabral e seus amigos ou cúmplices na prisão, em Bangu. São presos comuns, que deveriam estar nas mesmas condições de superlotação de seus colegas presidiários menos favorecidos financeiramente. Mas, como o dinheiro fala mais alto em um país capitalista, eles podem circular de cela em cela, ter água filtrada, arroz de pato do Antiquários, além de mimos como queijos importados. Tudo acobertado por cúmplices fora da cadeia. Teríamos essa dúvida que estaria acontecendo dessa forma? Você tem cumplicidade dentro da cadeia, talvez com funcionários da cadeira e fora da cadeia em várias esferas da sociedade. Não concordo com a forma em que a imprensa humilha as condições já humilhantes das presidiárias femininas (A esposa de Cabral e a de Garotinho), mas saber que as mordomias são compradas ainda que juridicamente sem possibilidades.
Os inimigos políticos estão se roendo como ratos, pedindo ajuda de seus cúmplices e tendo a mídia como interlocutora. Será que as ameaças que garotinho diz estar recebendo vão se consumar? Será que vão finalmente acabar com o festival de regalias até na prisão para Cabral e seus homens? Daqui a 72 anos, poderemos ouvir a história recontada desse episódio com as entrelinhas abertas? Todos os cúmplices estarão na mira da justiça?
A verdade é que eles vão apenas aguardar um tempo. Deixar a poeira baixar. Se alguém for eliminado nessa história estará claro quem foi o mandante. Cabral e seus amigos e seus cúmplices são maioria inflamada na prisão e querem sair o mais rápido possível, mas Cabral agora se sente climatizado na prisão, junto de seus amigos, companheiros cúmplices.
Desta vez, a palavra cúmplice, está empregada de forma correta nesse contexto.


Fotos do evento de contação de histórias no Shopping Top Ubá





Fotos do evento de contação de histórias no Shopping Top Ubá

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Hora do conto


Dia 25/11 vai acontecer o evento A hora do conto, no shopping Ubá Top Center. A contadora de histórias Vania Alves vai contar a história de meu livro infantil O GATO QUE CONHECEU A HISTÓRIA. Um evento muito bacana para todos os miúdos. Se liga no recado da Vania:



Verdadeiro poder e glória

Já pensaram se um dia todos os seres humanos conseguissem amar uns aos outros, assim como a música Imagine, do John Lennon? Isto, é, cada um com seu bauzinho de felicidade, Netflix e panqueca de queijo? Então pensem. Você pode ficar impassível ao filme do Doutor Estranho, herói da Marvel, achando um filme apenas de herói ou no pior das hipóteses, um filme muito abstrato. Mas tem uma essência incutida no filme e que leva a outros caminhos de reflexão muito interessantes. Basta você ter sensibilidade para isso.
A Marvel resolveu investir nos heróis menos conhecidos do público em geral, criando séries muito boas e filmes para grande tela. Pelas séries temos Jéssica Jones, Demolidor, Luke Cage e Punhos de Ferro, que depois, entraram no arco juntos para a série nova: Os defensores. Não coloquei a ordem cronológica dos heróis, pois o verdadeiro fã de quadrinhos, gosta de ler a sequência certa para entender completamente a história. Sim leitor, existe sequência dos filmes e séries. Isso para o antigo (e novo) leitor de quadrinhos é importante. Ainda vai ter em 2018, o aclamado Manto e Adaga, o filme do Pantera Negra, o novo dos Vingadores e a Capitã Marvel. Estamos vivendo o melhor período de filmes de heróis.
Doutor Estranho sempre foi um personagem fantástico nos quadrinhos e difícil de digerir para leitores mais acostumados com histórias mais próximas da realidade como Homem de ferro. Mas, a Marvel já foi apresentando mundos fantásticos com os filmes do Thor e Asgard. Agora, além de planetas e seres diversos, temos a possibilidades de ver dimensões e multiversos, além da cenografia maravilhosa incitando M. C. Escher. Benedict Cumberbatch é um excelente ator e lembra muito o personagem dos gibis. Dá o tom certo também entre o místico (e sua surpresa acompanhada do público) e o humor rasgado e sarcástico dos tempos da série Sherlock. Os personagens de Tilda Swinton, Mads Mikkelsen e Chiwetel Ejiofor são os que mais diferem dos quadrinhos, mas por serem bons atores, deixam de lado essa crítica. A direção competente de Scott Derrickson (Exorcismo de Emily Rose - 2005), varia entre o lúdico e adulto. Afinal, deve ser para toda família.
Em tempos de ódio, me chama a atenção de um filme que está indo contra a maré, abordando a fé e atitudes mais benevolentes com o próximo, onde Stephen Strange, mesmo um personagem arrogante, não é confortável com a idéia de matar uma pessoa. Afinal, é um médico. Chama a tenção sua caminhada para a elevação pessoal, quando em um momento, na biblioteca ao atendente vê-lo e o cumprimenta por Dr. Estranho ele retruca dizendo: ” por favor, Apenas Stephen! ” Mesmo que a impulsão para a leitura e conhecimento do alcance espiritual tenha acontecido através de um problema pessoal, podemos perdoá-lo, imaginando que em nossas vidas também, uma tragédia ou um acontecimento pode despertar esse nosso encontro com a espiritualidade. Todas essas idéias voltadas não somente pelo misticismo, mas são subliminares para a idéia maior, de encontro com a espiritualidade e plano astral. Isso poderia muito bem ser mais abordada em um segundo filme.
Para a ciência, é muito positivo a discussão sobre Multiverso. Multiverso é um conjunto de universos possíveis, incluindo o universo em que vivemos. Esses universos possuem a totalidade do espaço, do tempo, da matéria, da energia e das leis. A vastidão de nosso universo, com trilhões de planetas e estrelas e bilhões de galáxias seria apenas um dos universos. Imagine como se fosse uma bola de gude. O multiverso seriam o conjunto de centenas de bolas de gudes. Alguns com a Terra espelhada, com realidades diferentes e tempos diferentes. Podemos imaginar os caminhos diversos de livre arbítrio acontecendo nas terras infinitas. A DC, possui por exemplo, essa realidade nos heróis da Liga da Justiça, tendo 12 Terras diferentes, com heróis com caminhos diferentes.
Mas o que chama mais atenção é a citação de vários livros reais, que envolvem caminhos espirituais. E é nesse mote que importa minha abordagem.  Tudo que envolve realmente nossa elevação espiritual, pode ser encontrada em livros. Não como o livro de Cagliostro, onde realmente existiu um Conde de Cagliostro (mago ocultista quisto por Luis XV), mas por mexerem com ocultismo, não deixaram obras conhecidas. Assim como Allester Crowley, mago ocultista mais moderno, que mexeu com forças além de sua compreensão. O que os dois magos leram em suas caminhadas, pode não ser de importância, mas a Clavícula de Salomão é um dos livros citados e encontrados na internet. Outros livros são mais elevados como os Vedas para deixar-se levar, abrir a mente e aceitar a morte como parte essencial da experiência de estar vivo. Nisso, podemos nos elevar com o filme.

Doutor Estranho é um filme sobre a segunda chance que esse tempo pode dar, para não cairmos em nossos erros diariamente, aprendermos e dar espaço ao amor. 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Bimbalham os sinos

Mal chegou dezembro e já estamos vendo prenúncios do Natal e consequentemente 2018. Parece que olhamos 2017 a partir de 2018. Todos os desejos de bons frutos e melhoras, estamos deixando para o ano vindouro, ou seja, faz tempo que queremos o fim de 2017. E mesmo assim, a passagem do Natal para alguns, ao abrir a cesta de Natal, verão, com muita sorte:
Duas nozes, uma lata de extrato de tomate, três passas e uma cidra na promoção.
Que aflição é essa que parece um ano que nunca vai acabar? Será que a mídia nos mostrou muitas aflições pelo mundo? Muitos atiradores ceifando vidas pelo mundo e inclusive no Brasil. O ano mal começou, e um homem armado até os dentes atirou numa multidão que comemorava o ano novo em Istambul, matando 39 e deixando 70 pessoas feridas. Um cenário que se coloca em ascensão no Brasil, visto que os assassinatos cresceram no país e parte deles, contra policiais na ativa. Hoje são mais de 61 mil até agora. E ainda se fala em porte de armas. E falando em armas, até a fabricante que tem o monopólio de vendas, tem problemas graves de fabricação, aumentando a estatística de violência. E lembramos os EUA, que ao longo do ano, registrou assassinatos em massa e quando ainda estavam em luto por um incidente, recentemente, Las Vegas, foi palco da maior matança a tiros da história do país. Reflexo do mundo e seus governantes?
Que desespero que o sistema econômico provoca olhando os políticos disponíveis no mercado ao redor do mundo. Com o desgaste ainda maior da imagem, grupos resolvem para a sobrevivência pessoal, lançar novos candidatos frutos do marketing midiático que invadem as esferas governamentais, apenas para vencer as eleições. O resultado mais claro nos dias de hoje é o presidente americano, mas é um recurso antigo. Podemos lembrar de Reagan por exemplo. Por aqui, temos um prefeito midiático que apenas faz política midiática, sem planos concretos de governo, apagando grafitis e vendendo e negociando o que pode, enquanto em outro estado, é caracterizado pela ausência e privilégio a sua igreja. Em breve, estaremos vendo candidatos dessa estirpe aos montes. Reflexo do desgaste do sistema econômico?
Que saudades daqueles que se foram, empobrecendo o mundo e deixando um legado de dúvidas em relação ao cenário atual. Entre outros, Vida Alves, a atriz que entrou para a história com um beijo, o primeiro, na televisão brasileira, o escritor argentino Ricardo Piglia, o autor de Dinheiro Queimado e Respiração Artificial. Já era muitas mortes para tão poucos dias, quando chegou a notícia do desaparecimento de Zygmunt Bauman. Assim como uma atrofia levou o filósofo, historiador e crítico literário búlgaro Tzvetan Todorov e o genial All Jarreau. Ficamos órfãos com a partida de Chuck Berry e O "rei da comédia" Jerry Lewis que faleceu aos 91 anos. Um dos intérpretes do 007, Roger Moore, morreu na Suíça, e em nossas terras, Luiz Melodia, Rogéria, Paulo Silvino, Belchior e Jerry Adriani. Foram muitas perdas. Até minha tia Yolanda, do qual desconfiava ser uma Highlander, também foi para a luz. Vendo o número de estrelas que subiram aos céus, nosso futuro fica mais cinza?
O que dizer quando o assunto é política? Onde fica claro para toda a população que a destituição da presidenta foi uma negociação em que envolveu todos os poderes, com a anuência e financiamento americano e tenho grupos na internet, financiados por partidos para inflamar a nação descontente e agora está vendo o país perder seus direitos, suas economias sendo vendida aos grupos empresariais americanos, sua população voltando a pobreza absoluta e vendo o ódio sair de sua caixinha para ganhar as ruas e colocar as tensões sociais em outro nível. A destruição de uma nação bem a olhos vistos e a inanidade do cidadão para cada movimento do governo sem limites. O desgaste foi tão grande perto das eleições, que querem nesse momento desembarcar para não ser atingido pela imagem presidencial mais baixa da história do país e deixar a reforma da previdência (desnecessária, diga-se de passagem) de lado. Isso pode acelerar um processo eventual de destituição nesse momento, para que alguém com mais força faça isso antes do voto popular.

De qualquer forma, mesmo com pouco a que se comemorar, deixo uma mensagem de fé e esperança por dias melhores. Que possamos transformar cada lágrima em choro de alegria. Que mesmo com pouco, possamos alimentar nossa alma de um sentimento de amor pelo próximo e quem sabe. Ao menos, quem sabe, um dia, possamos deixar de lado nossos egos e dificuldades de lado e ver o outro como irmão.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Ao mestre, sem carinho

Que dia é a prova de recuperação do ENEM? Talvez a frase não seja apenas ligada ao aluno diante das dificuldades da prova maratona, mas também, o espetáculo ao redor promovido em tempos de ódio, assim como a nova direção educacional do País. Não obstante a uma prova, que sempre; em toda a história da avaliação nacional; nunca foi feita para verificar o aprendizado do aluno e sim estimular uma competição. Nesse módulo “competitivo”, deixa-se de lado: o dia do aluno, seu psicológico, suas possibilidades e inclusões. Assim como um sistema capitalista que está sempre estimulando essa mesma competição, a imposição a crianças, ainda em dúvidas com relação ao seu futuro, se torna estressante desde o momento em que entra ao ensino médio.  A ansiedade é amiga do sistema de eliminação. No mínimo, você terá taquicardia, mão suando, perna tremendo, respiração ofegante, tensão muscular...fobias e transtornos pré-ENEM. Esse talvez seja o melhor significado desta palavra. Na ânsia de fazer uma boa prova, muitos abusam de estudos demasiados, alimentação desregrada e isso alimenta cada vez mais essas síndromes anteriores e por que não, posteriores a maratona de prova.

É jovem, não tem experiência.

“ - Nem adianta virem com essa de ENEM ontem... podem abrindo na pág. 394, seus insolentes! ” Diria aquele professor que está acomodado ao sistema, somando ao momento social dos dias de ódio de hoje. Além dessa pressão toda, o ano inteiro, ainda teve que ser recebido pelo coro daqueles que se divertem com a agonia alheia para chegar a tempo da prova. Todo ano é a mesma coisa, mas a reportagem nunca cuida do indivíduo e sim apontando aqueles que tiveram todo tipo de empecilho. É bem verdade que sempre vai haver aqueles displicentes, pouco interessados na prova. Mas um contingente grande, está incluído nos problemas de mobilidade ou presos ao sistema. Posso citar o caso de um padeiro, que já trabalhava desde às 5h da manhã e foi liberado pelo chefe muito em cima da hora de fechar. Podemos sim falar dos nós urbanos criados sempre nesses dias especiais, mas em algumas áreas rurais, as distancias para vencer era o vestibular antes do vestibular. Teve até o caso de alguém não ter a canoa para atravessar o rio, pois as piranhas já tinham inutilizado com o transporte. Qual a graça de rir do sofrimento dos outros? Falta empatia ao brasileiro? Ou os grupos de ódio estão ganhando força, a cada vez de um enfraquecimento de um sistema popular? Indo a algumas redes sociais, não bastando a humilhação recebida na frente do local de prova, ainda são submetidos ao escárnio público, com direito a todo tipo de preconceito possível e intolerância.

Se não tem automóvel, é um pobre coitado.
Se Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.

Em um governo, numa democracia, podemos esperar conteúdos mais sociais, preocupados em que o tema seja de relevância e compreensão com fundo de discussões mais importantes, das dificuldades das minorias e sua inclusão na sociedade. Em um Corporativismo, quase nada de sociologia, filosofia e história na prova. A maioria das questões foram de interpretação de texto. Darcy Ribeiro já apontava que, "A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto." Daí um tema de redação nesses moldes, que não é a inclusão de surdos ou do portador de deficiência auditiva severa, nem a necessidade de respeito à pessoa humana com limitações. O tema foi: "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil." Mesmo assim, teremos receita de miojo e muito texto inadequado, sem possibilidades de zerar. Fora que pareceu que o MEC está mais perdido e está pedindo ajuda dos universitários.  Mas o que podíamos esperar de um sistema em que pensa em privatizar as universidades?

Se escreve muito, não explica.
Se Explica muito, na folha não tem nada.