quinta-feira, 12 de abril de 2018

Relançamento do Boto


Relançamento do Codinome Boto, no Conexões Coworking, dia 25, às 18hs. A chance de poder adquirir o livro de quadrinhos, conversar com o autor e conhecer o novo espaço de coworking no centro de Niterói. Te espero lá!

Limiar


Estamos vivenciando um limiar muito perigoso com essa polarização. Antes, a todo retrocesso, a toda indicação de retirada de direitos, ou a toda manifestação de ódio, era respondido com indignação ou silencio. Após o assassinato de Marielle, do qual, as maiores manifestações do twitter no período, foram manifestações de fúria, mentiras e apoio a morte dela; deu uma rasteira em muita gente pelo Brasil e pelo mundo, tornando aquela paz em tensão. Recentemente, a prisão de Lula, deixou os nervos à flor da pele.
Quando você vê uma parte da polarização tendo golpes atrás de golpes, enquanto o outro lado se mantém, mesmo com provas robustas, saindo impunimente, percebemos que temos a fatia dos mais poderosos mostrando que nossa herança de Casa grande e senzala está presente e quer estar presente. Não se trata e nunca se tratou de corrupção. A classe média, mesmo ganhando pouco mais de três mil reais, quer continuar ganhando esse percentual, mas o trabalhador humilde para ele, deve ganhar muito menos. Isso traz alívio para ele.
O famoso, eu posso e você não é a tônica do nosso país. Pode roubar e matar, mas desde de que seja entre os mais ricos. E você só tem direito a ficar em silêncio. Esse é o seu direito hoje. A prioridade é acalmar os ânimos, tirar mais um presidenciável (Bolsonaro, pois não interessa mais a elite, afinal ele somente polarizava com o Lula. E sem ele, não precisa mais desse candidato) e inflar algum candidato da elite. E agora, vão tentar acalmar os ânimos mesmo. Todos estão pedindo calma, mesmo com a economia cada vez pior. Ministros, comentaristas, operadores e você leigo, tem a missão de se acalmarem.
Mães quando tentam controlar seus filhos da zona no shopping.
- Ssssshhhhhh! Se acalmem. Vocês podem agitar a população!
Seu vizinho, que está dando aquela gemida alta, você pode bater na parede e pedir para se acalmarem.
- Eita! Olha a nossa nação!
As brigas de marido e mulher, podem tapar a boca um do outro, no auge da discussão.
- Você tem razão, mas vamos respeitar a paz do Brasil.
Trabalhador mal pago, essa não é a hora de discutir, afinal, você apoiou os direitos trabalhistas e enfraqueceu os sindicatos. Engula sua reinvindicação, afinal, você ainda está comendo. Banco Central, você também não pode falar nada. Ninguém deve falar nada sobre as privatizações ou levantar dúvidas sobre as reformas. Nenhum movimento brusco. Aproveitem e tirem os talheres de beiras de mesa.
Já tivemos a censura explícita dos generais, que já avisaram que se tudo não correr bem, vão entrar como nós conhecemos. Poder atirar no ônibus do Lula pode, atirar bolinha de Papel no Serra não. Ameaçar jogar ele do avião no voo pode, chamar o governo de golpista não. Os extremos agora estão cada vez mais postos em seu lado do ringue. A política nacional, está de lado, para se concentrar na eleição. Estamos em ebulição. Estamos caminhando para uma guerra civil? É possível, mas dado a nossa colonização portuguesa, a tendência é ainda tentar discutir e encontrar meios dignos para as vitórias reais, através da paz. Mas ninguém segura um povo com muita raiva. A resistência pacífica como Gandhi ficou para trás. Mesmo a demonstração de amor pela população ao líder preso, tem limites, pois não querem ouvir os poucos tilintares de taças, rindo de suas fortunas, enquanto a maioria prende a respiração respeitosamente.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Saída pela esquerda


Ele chega esbaforido batendo a porta, como se não houvesse ninguém no seu andar. Suando, vai afrouxando a gravata e dispara:
- Temos que sumir!
- O quê? Como assim?
- Não é hora para discutir comigo. Apenas faça as malas!
- Você está louco?
- Mulher, lembra que estava sentindo muita pressão? Tive que dar uma escapada. Fui em Abadiânia dar uma relaxada, tomar um passe, tirar essa energia negativa que grudou em mim. Muito olho gordo em cima de mim!
- E daí?
- Daí que estava eu lá na fila para entrar e quem eu vejo por lá de entreouvidos? O Barroso!
- Não! ...
- Sim. Se ele tava lá, é porque a coisa vai feder!
- Mas...
- Não tem mas! A situação está ficando feia! As posições estão cada vez mais radicalizadas. Vai ter perseguição, sim!...
E depois de uma pausa, continuou...estão sempre no meu pé, mas o importante são os amigos. Cedo ou tarde, vão chegar em mim. Esse jogo não é para fracos. Até agora estou no controle da situação, mas não sei até quando. Se tiver que depor, não sei se aguento. Não aguento nem um olhar de desconfiança...eu...eu...
Ela nesse momento, entrega um Whisky com bastante gelo.
- Obrigado
- E seus amigos? Você está cheio deles em tudo quanto lugar!
- Não podem se comprometer! Esqueceu que outubro está chegando?
Dá um gole e seca a testa de suor com um lenço e dispara:
- Agora estão me apoiando na surdina, mas se a bomba estourar, não tenho certeza quem vai ficar abertamente do meu lado. Nessa hora, cada um é por si. Vamos embora!
- Mas vamos para onde? Assim de uma hora para outra?
- Bolívia!
- Bolívia? Mas acabou de ter um terremoto por lá...tá doidão? Me devolve o whisky!
- Pera aí, querida! Vamos para os Estados Unidos. Lá devem gostar de mim.
- E como vamos viver? O que faremos por lá?
- Com algumas malas extras que alguns amigos juntaram, não vamos nos preocupar por um tempo.
- Mas...
- Não tem outra saída! Ou você quer me ver sendo interrogado? Olha o escândalo! Quanta gente ia se beneficiar disso, aqueles sádicos! Seria a notícia durante meses. A América é a única solução, Marcela. Deixo uma carta e voltamos quando esfriar a situação.
- Caraca, Michel! Agora que você estava começando a aprender a andar de bicicleta comigo...

quinta-feira, 22 de março de 2018

Mundos paralelos


Acho que vivo em mundos paralelos. Sabia que o ódio estava presente sempre, mas o caso da Marielle, transbordou a barreira do ponderável. Como é possível, que uma pessoa que tem ódio a um partido, passa por cima covardemente da morte de um ser humano, faz pouco caso nas redes sociais, dissemina inverdades para desqualificar uma pessoa com todas as qualidades e lutas das minorias e cospe em cima dos Direitos Humanos, sem nem ao menos saber o que é Direitos Humanos? O que faz uma pessoa odiar tanto a outra pessoa que é capaz de qualquer barbaridade para se sentir glorificado com suas ações?
A sensação de passar por entre frestas desses mundos sem poder fazer nada, ao menos ajudar a pessoa a ter no mínimo compreensão da sua fala é ambígua. Sabemos que se formos atrás de cada notícia, cada desvio de atenção, qualquer fofoca, onde no Brasil o inconsequente e o essencial se confundem, não temos tempo de respirar direito e a nos dedicar a outras coisas. Assim mesmo, sempre seguimos em frente e firmes, com o pensamento incômodo de: Será que estamos perdendo algum detalhe?
Mas esse modelo fascista que todos estão assustados, que aparece nas redes sociais de forma brutal, crescente, pondo inclusive um representante político no páreo da corrida presidencial, foi de uma hora para outra? Quantas pessoas estão tendo que fazer verdadeiras faxinas de amizade virtual? E quantos tinham aquele amigo de longa data que de repente está tendo um discurso diferente do que conhecia anos atrás?
O fascismo é sempre um produto de uma inconsistência econômica. A inconsistência cria uma necessidade frequente de justiça. A pressão econômica é grande, o poder de compra encolhe e a sociedade começa a disputar a quem pertencem o bolo onde está o verdadeiro dinheiro, que vão ficando cada vez mais difíceis de alcançar. Junto com isso, você percebe um sentimento de desânimo com seu Estado, seu País. A pessoa se acha inferior, incapaz de produzir sua riqueza, principalmente vendo que as necessidades básicas estão cada vez maiores enquanto poucos fazem e desfazem tudo em prol dos seus e de seus amigos.
Os ânimos ficam exaltados. Tanto a esquerda quanto a direita vão ficando mais extremadas.  O vazio que o centro ocupava dá lugar para um político novo – Aquele político que você não conhece sua luta social, mas sim com a promessa de exterminar com as mazelas. Ele pode ser famoso ou elegante ou surgir como um super-herói da cultura pop americana que soluciona tudo de maneira rápida, reivindicando ao povo pelo sangue ou por deus. Daí vemos o renascimento do Nacionalismo. Lembram da apropriação de símbolos nacionais? O pato amarelo já é uma apropriação indevida, por que não falar em roubada a imagem do artista plástico holandês Florentijn Hofman.
Esse grupo de pessoas, localizam a fonte de problemas naqueles que não têm encaixe na sociedade dita de bem, que são inferiores para eles– às vezes, não apenas moral, mas étnico, sexual, socialista, comunista – e os apontam o dedo. É muito mais fácil acreditar que todos os problemas estão neles, que querem destruir sua sociedade, seu modo de vida. A criação de mentiras a cerca destas pessoas, já provocam um sentimento de verdadeira crença que mesmo sendo desmentidas, não trazem de volta aquela revolta dessa turba influenciável. O incrível poder destrutivo da difamação.
Mesmo sabendo que toda execução de um político é um ato político, pois matam o corpo físico para tentar matar tudo aquilo que ele representa também. Mas esquecem que algumas pessoas morrem para virar heróis e acabam sendo mais fortes, pois dão vozes multiplicadas e Marielle passou a vida lutando contra o feminicídio, a guerra às drogas, a desigualdade, e assassinato da população pobre seja ela a população trabalhadora, como policiais.
Agora vemos a luta da sociedade com ela mesmo, o momento que Umberto Eco já chamava de Fascismo eterno, onde a classe média desesperada e precisando de prosperidade, reage ao seu declínio dando apoio ao ressurgimento do fascismo. E a esquerda? Ela está mais uma vez dividida, travando uma luta contra si, sem compreender novamente o fenômeno, sem lutar contra esse extremo. E vamos ver o quanto é cíclico a história da pior maneira.


Participação em Live


Semana passada, participei da Live na BiblioIdéias, falando sobre o processo de criação do livro Cdinome Boto, pela DataCoop, lançado no último dia 05/03. O vídeo na íntegra pode ser conferido pelo link direto: https://www.facebook.com/biblioideias/videos/1806585246027126/UzpfSTEwMDAwMDAyNTQ0MjUxMzozMDYwNjExMjk0OTk0MTQ6MTA6MDoxNTIyNTY1OTk5Oi02NjcxMjMyODc2Mzc5MDE4OTE2/

quinta-feira, 15 de março de 2018

Só sei que me disseram


Dois amigos em um pé sujo, se encontram no horário do almoço. Depois de uma conversa frívola e bem animada, o riso acaba dando lugar a suspiros e eis que um deles começa:
- Sabe amigo, não entendo a história da humanidade. Sabemos um tanto de dois mil anos para cá, mas não sabemos nada para trás! Não é louco isso?
- Loco! E quando falam que forças invisíveis estão manipulando a nossa nação? Não entendo isso. Falam sobre o capitalismo, mas como funciona isso?
- Já me falaram na quinta série, mas esqueci.
- E aquele espião que foi envenenado? Foi queima de arquivo? Isso existe de verdade?
- Só vi em filmes do James Bond.
- Sabe uma coisa louca?
- O que?
- Olha quantas personalidades, como presidentes, foram também afetadas por câncer...foram os presidentes do Brasil, da Venezuela, Paraguai, Argentina...tudo de uma vez só…não é curioso? Como se quisessem acabar com eles de uma forma....
- Olha…rapaz…não sei o que falar......
- Será que o que aparece nos filmes pode acontecer?
- Hunf…não…não sei....
- Muito louco isso....
- Mas quer saber uma coisa?
- Hã?
- Trabalhar com linguagem Python é impossível. Não sei nada sobre isso.
- Ué? E Windows? Quem sabe?
- É um desafio, se você quer saber!
- E por acaso, você sabe como funciona um computador?
- Assim...na teoria, sim....
- Jura?
- Para dizer a verdade, não. Não sei como lidar com Smartphone!
- Não sei usar o zap! Eu me enrolo todo em responder. Não sei usar as carinhas e a pessoa fica dizendo oi...oi...oi...oi...me dá um nervoso e não sei o que responder!
- Loco!
- Na verdade nem sei como usar a minha própria TV.
- Isso já me falaram. Tem a ver com cabos e internet. São a partir de ondas via satélite.
- Nooossa!
- Pois é!
- Mas já que você falou sobre isso...não sei nada sobre fogão!
- O que? Se é para abrir o jogo, vou falar de uma vez: Não sei como se usa chave!
- Chave de carro?
- Pior...chave de casa!
- Eita!


quinta-feira, 8 de março de 2018

Diferença do novo cinema


No dia em que os céus receberam de braços abertos nossa diva do cinema, a querida Tônia Carrero, nos EUA se celebrou a maior festa de cinema do mundo, o Oscar. E já era esperado, nesta cerimônia, as manifestações políticas que se tornaram importantes em outros festivais do ano passado. Muitos dizem que o mundo ficou muito perigoso e caminhando para o fundo do poço. É bem verdade, que muitas coisas realmente fazem parte dessa luta entre patrões e trabalhadores e que nesse momento estão vendo essa virada de mesa através da força, falta de respeito e intolerância, mas ao mesmo tempo, a resistência das minorias se tornaram muito importante e com uma força descomunal. Parabéns aos envolvidos.
Como se distingue hoje um cinema moderno e engajado com as realidades dos dias de hoje? Até a pouco tempo era fácil distinguir. A evolução técnica era o mote principal. Tanto dos efeitos especiais, quanto da evolução de câmeras e com o olhar fotográfico mais premiado nesse avanço. Hoje, você percebe, depois do discurso da excelente atriz, Frances McDormand pedindo para que todas as envolvidas diretamente com a premiação se levantassem, seja qual área fossem. Não eram poucas e envolvidas em todas as áreas de produção. A força feminina de crescimento neste setor, não precisou ser corpulenta e barbada como a atriz Keala Settle, fazendo o papel de Lettie Lutz (que na vida real se chamava Annie Jones), no filme com Hugh Jackman. A barba não quer dizer mais nada ideologicamente. Filmes que podemos ver essa força, podem ser conferidos nos últimos da saga Star Wars, com protagonistas femininos e Mulher Maravilha, que ultrapassou apenas o estigma de filme de herói e deixou cada menina que assistiu ao filme, com lágrimas nos olhos pela representação. Muitos filmes se multiplicaram desde filmes como Anna Karenina, Antes do Pôr do Sol e Thelma e Louise.
E o discurso? Os americanos precisaram usar legislação para inserir o negro na filmografia. E mesmo assim, durou muitas décadas até formarem atores negros com papéis que falem de si e inclusão social, como no reconhecimento da academia ao texto de Jordan Peele. Assim como Mulher maravilha, a Marvel também acertou com o filme do Pantera Negra, com uma constelação de atores, direção de artes e temática dinâmica.  Não só os negros americanos conseguiram se impor na indústria, como além de o reconhecimento estar acontecendo, conseguiram criar uma história inovadora do cinema de suspense. O melhor filme do gênero é negro, com Run, texto de Peele. Falando em barba, como simbologia, a disputa pelo melhor ator teve o Denzel Washington, que já exibiu uma barba furiosa, se transformou fisicamente para interpretar um personagem no filme Inner City. Ninguém destoou. O discurso a favor da justiça social foi certeiro. Ninguém se manifestou ao contrário, pois a mudança de comportamento veio para ficar, assim como as cólicas.
Portadores de deficiência e diferenças de gênero foram ovacionados, tanto nos bastidores quanto em frente das câmeras. O que dirá o filme Chile vencedor de melhor filme estrangeiro, com: Uma mulher fantástica. Foi o primeiro filme estrelado por uma pessoa transexual a levar o Oscar. A atriz Daniela Vega interpreta Marina, uma jovem vítima dos preconceitos da sociedade chilena. Nada mais moderno e inclusivo. Ano passado tivemos a Garota dinamarquesa, filme com uma atuação primorosa, contando o primeiro caso de transexual operado no mundo, o artista plástico artistas Einar Wegener. O filme foi arrasador em todo lugar que foi exibido. E todo filme inclusivo é emocionalmente forte e poético. Ninguém esquece o filme Intocáveis, um delicioso filme dramático com muito humor dirigido por Olivier NakacheÉric Toledano, e a sensacional atuação de Omar Sy (Driss). Outro filme indicado a melhor filme, tinha a temática homossexual como Me chame pelo seu nome. O que prova, o quanto o olhar sobre as minorias e o respeito ao próximo é um avanço mundial e chegou para ficar. Afinal, existe realmente alguma diferença profissional? E cá para nós, se todos se lambuzam comendo manga, qual seria a diferença entre nós? Apenas a beleza da diversidade. Seu desempenho em produzir um belo filme não está mais em questão. O melhor filme foi a história de amor entre uma deficiente física e um monstro do mar, de um ótimo diretor mexicano: Del Toro.
O desafio é assistir a um filme emocionante e não fazer mais essas separações para grande parte da população. Apenas saber que é um grande filme. Deixa as separações para quem for fazer teste de DNA.