quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Bimbalham os sinos

Mal chegou dezembro e já estamos vendo prenúncios do Natal e consequentemente 2018. Parece que olhamos 2017 a partir de 2018. Todos os desejos de bons frutos e melhoras, estamos deixando para o ano vindouro, ou seja, faz tempo que queremos o fim de 2017. E mesmo assim, a passagem do Natal para alguns, ao abrir a cesta de Natal, verão, com muita sorte:
Duas nozes, uma lata de extrato de tomate, três passas e uma cidra na promoção.
Que aflição é essa que parece um ano que nunca vai acabar? Será que a mídia nos mostrou muitas aflições pelo mundo? Muitos atiradores ceifando vidas pelo mundo e inclusive no Brasil. O ano mal começou, e um homem armado até os dentes atirou numa multidão que comemorava o ano novo em Istambul, matando 39 e deixando 70 pessoas feridas. Um cenário que se coloca em ascensão no Brasil, visto que os assassinatos cresceram no país e parte deles, contra policiais na ativa. Hoje são mais de 61 mil até agora. E ainda se fala em porte de armas. E falando em armas, até a fabricante que tem o monopólio de vendas, tem problemas graves de fabricação, aumentando a estatística de violência. E lembramos os EUA, que ao longo do ano, registrou assassinatos em massa e quando ainda estavam em luto por um incidente, recentemente, Las Vegas, foi palco da maior matança a tiros da história do país. Reflexo do mundo e seus governantes?
Que desespero que o sistema econômico provoca olhando os políticos disponíveis no mercado ao redor do mundo. Com o desgaste ainda maior da imagem, grupos resolvem para a sobrevivência pessoal, lançar novos candidatos frutos do marketing midiático que invadem as esferas governamentais, apenas para vencer as eleições. O resultado mais claro nos dias de hoje é o presidente americano, mas é um recurso antigo. Podemos lembrar de Reagan por exemplo. Por aqui, temos um prefeito midiático que apenas faz política midiática, sem planos concretos de governo, apagando grafitis e vendendo e negociando o que pode, enquanto em outro estado, é caracterizado pela ausência e privilégio a sua igreja. Em breve, estaremos vendo candidatos dessa estirpe aos montes. Reflexo do desgaste do sistema econômico?
Que saudades daqueles que se foram, empobrecendo o mundo e deixando um legado de dúvidas em relação ao cenário atual. Entre outros, Vida Alves, a atriz que entrou para a história com um beijo, o primeiro, na televisão brasileira, o escritor argentino Ricardo Piglia, o autor de Dinheiro Queimado e Respiração Artificial. Já era muitas mortes para tão poucos dias, quando chegou a notícia do desaparecimento de Zygmunt Bauman. Assim como uma atrofia levou o filósofo, historiador e crítico literário búlgaro Tzvetan Todorov e o genial All Jarreau. Ficamos órfãos com a partida de Chuck Berry e O "rei da comédia" Jerry Lewis que faleceu aos 91 anos. Um dos intérpretes do 007, Roger Moore, morreu na Suíça, e em nossas terras, Luiz Melodia, Rogéria, Paulo Silvino, Belchior e Jerry Adriani. Foram muitas perdas. Até minha tia Yolanda, do qual desconfiava ser uma Highlander, também foi para a luz. Vendo o número de estrelas que subiram aos céus, nosso futuro fica mais cinza?
O que dizer quando o assunto é política? Onde fica claro para toda a população que a destituição da presidenta foi uma negociação em que envolveu todos os poderes, com a anuência e financiamento americano e tenho grupos na internet, financiados por partidos para inflamar a nação descontente e agora está vendo o país perder seus direitos, suas economias sendo vendida aos grupos empresariais americanos, sua população voltando a pobreza absoluta e vendo o ódio sair de sua caixinha para ganhar as ruas e colocar as tensões sociais em outro nível. A destruição de uma nação bem a olhos vistos e a inanidade do cidadão para cada movimento do governo sem limites. O desgaste foi tão grande perto das eleições, que querem nesse momento desembarcar para não ser atingido pela imagem presidencial mais baixa da história do país e deixar a reforma da previdência (desnecessária, diga-se de passagem) de lado. Isso pode acelerar um processo eventual de destituição nesse momento, para que alguém com mais força faça isso antes do voto popular.

De qualquer forma, mesmo com pouco a que se comemorar, deixo uma mensagem de fé e esperança por dias melhores. Que possamos transformar cada lágrima em choro de alegria. Que mesmo com pouco, possamos alimentar nossa alma de um sentimento de amor pelo próximo e quem sabe. Ao menos, quem sabe, um dia, possamos deixar de lado nossos egos e dificuldades de lado e ver o outro como irmão.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Ao mestre, sem carinho

Que dia é a prova de recuperação do ENEM? Talvez a frase não seja apenas ligada ao aluno diante das dificuldades da prova maratona, mas também, o espetáculo ao redor promovido em tempos de ódio, assim como a nova direção educacional do País. Não obstante a uma prova, que sempre; em toda a história da avaliação nacional; nunca foi feita para verificar o aprendizado do aluno e sim estimular uma competição. Nesse módulo “competitivo”, deixa-se de lado: o dia do aluno, seu psicológico, suas possibilidades e inclusões. Assim como um sistema capitalista que está sempre estimulando essa mesma competição, a imposição a crianças, ainda em dúvidas com relação ao seu futuro, se torna estressante desde o momento em que entra ao ensino médio.  A ansiedade é amiga do sistema de eliminação. No mínimo, você terá taquicardia, mão suando, perna tremendo, respiração ofegante, tensão muscular...fobias e transtornos pré-ENEM. Esse talvez seja o melhor significado desta palavra. Na ânsia de fazer uma boa prova, muitos abusam de estudos demasiados, alimentação desregrada e isso alimenta cada vez mais essas síndromes anteriores e por que não, posteriores a maratona de prova.

É jovem, não tem experiência.

“ - Nem adianta virem com essa de ENEM ontem... podem abrindo na pág. 394, seus insolentes! ” Diria aquele professor que está acomodado ao sistema, somando ao momento social dos dias de ódio de hoje. Além dessa pressão toda, o ano inteiro, ainda teve que ser recebido pelo coro daqueles que se divertem com a agonia alheia para chegar a tempo da prova. Todo ano é a mesma coisa, mas a reportagem nunca cuida do indivíduo e sim apontando aqueles que tiveram todo tipo de empecilho. É bem verdade que sempre vai haver aqueles displicentes, pouco interessados na prova. Mas um contingente grande, está incluído nos problemas de mobilidade ou presos ao sistema. Posso citar o caso de um padeiro, que já trabalhava desde às 5h da manhã e foi liberado pelo chefe muito em cima da hora de fechar. Podemos sim falar dos nós urbanos criados sempre nesses dias especiais, mas em algumas áreas rurais, as distancias para vencer era o vestibular antes do vestibular. Teve até o caso de alguém não ter a canoa para atravessar o rio, pois as piranhas já tinham inutilizado com o transporte. Qual a graça de rir do sofrimento dos outros? Falta empatia ao brasileiro? Ou os grupos de ódio estão ganhando força, a cada vez de um enfraquecimento de um sistema popular? Indo a algumas redes sociais, não bastando a humilhação recebida na frente do local de prova, ainda são submetidos ao escárnio público, com direito a todo tipo de preconceito possível e intolerância.

Se não tem automóvel, é um pobre coitado.
Se Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.

Em um governo, numa democracia, podemos esperar conteúdos mais sociais, preocupados em que o tema seja de relevância e compreensão com fundo de discussões mais importantes, das dificuldades das minorias e sua inclusão na sociedade. Em um Corporativismo, quase nada de sociologia, filosofia e história na prova. A maioria das questões foram de interpretação de texto. Darcy Ribeiro já apontava que, "A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto." Daí um tema de redação nesses moldes, que não é a inclusão de surdos ou do portador de deficiência auditiva severa, nem a necessidade de respeito à pessoa humana com limitações. O tema foi: "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil." Mesmo assim, teremos receita de miojo e muito texto inadequado, sem possibilidades de zerar. Fora que pareceu que o MEC está mais perdido e está pedindo ajuda dos universitários.  Mas o que podíamos esperar de um sistema em que pensa em privatizar as universidades?

Se escreve muito, não explica.
Se Explica muito, na folha não tem nada.





Logomarca para Motrix

Fiz esta logomarca para a Motrix, reformulando o antigo projeto mais simples e com pouca abordagem do total potencial da empresa

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Logomarca para AMAITA



Fiz a logomarca para a AMAITA, Associação de Moradores e Amigos de Itaipu. Ela está presente nas manifestações em aopoio a Lagoa, com cartazes, posts, camisetas e afins. Muito legal a força desse grupo.

Viver não é preciso

Antes de mais nada, é necessário que o leitor tenha estômago forte e desejo real de mudança. Os tempos turbulentos impostos pelo sistema, vem como trator empurrando velhos conceitos, tirando direitos e vindo com violência não importa quem esteja na mira. O conceito de felicidade vai mudando dentro de todos nós, à medida que o tempo vai passando, ainda mais quando a vida vai ficando mais difícil de desfrutar as amizades, as paisagens e a liberdade. O homem se sente completamente feliz quando não se preocupa com as relações com o vil metal, o amor não correspondido e suas fantasias dentro da sociedade. Quando consegue abstrair ao ponto de desfrutarmos dessa felicidade, muito bom, mas viver com essa habilidade e saber que outras pessoas não tem a mesma felicidade, também traz angústia. Principalmente aquelas que estão muito à margem da sociedade.
Ministério do Trabalho publicou a portaria nº 1129/2017 que inviabiliza o enfrentamento a escravidão no Brasil. Tudo para poder ter apoio para se livrar do processo, o presidente faz acordo com a base agrária, que conta com opositores descontentes, que essa reforma que beneficia seus negócios não tenha entrado ainda em discussão. Se estão acabando com os direitos trabalhistas na área urbana, por que não na agrária? Por que não acabar com a floresta para pasto, sem se preocupar? Por que não perdoar dívidas milionárias com o governo? Por que não voltar aos tempos dos barões? Por que não voltar a escravidão? Um país em que a escravidão foi vigente durante 350 anos, e mesmo após a abolição forçada para entrada definitiva do capitalismo, os mesmos negros e seus descendentes não conseguiram ter seus direitos assegurados e ainda foram excluídos socialmente. Quando começou um trabalho para incluí-los através de cotas e maior acesso, agora temos esse retrocesso avalizado em troca de votos.
“Trabalhar o suficiente para não ter que trabalhar”. Ouvimos sempre essa frase, em um contexto onde o patrão aperta o empregado, usando o emprego como moeda de troca. Libertar-se das convenções, ainda que anticonvencional, está sendo a saída para muitos. Perceber, mesmo que tardiamente, que sua saúde, não vale um carro do ano na garagem. A frase, só faz sentido para os herdeiros de grandes marcas, enquanto a grande parte da população é oprimida, chegando ao fim do período de trabalho de uma vida, não ter nada com que comemorar. Aliás, foi revogado até o direito a aposentar no tempo justo...
Um famoso grupo de moda, foi recentemente condenado pela justiça do trabalho, por constatar que mulheres que ganhava um salário de R$ 550; eram submetidas a metas como a colocação de 500 elásticos em calças por hora, sem condições propícias e sem direitos ou apoios médicos. O que dizer das empregadas domésticas, que são submetidas a tempos exaustivos e a todo e qualquer pedido? Só faltam os grilhões.
Precisamos ter a consciência leve, ao ponto de nem sentirmos consciência. Se vender tão caro que não haja preço para pagar.
O governo se caracteriza pela destruição de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento e com violações de direitos humanos. Rasga compromissos internacionais e despreza a Constituição Federal. Temos uma dívida com a escravidão e cada um é responsável por não existir mais esse mal, assim como qualquer opressão direta a qualquer pessoa. Estamos deixando que esse mal seja alimentado e que à força seja estabelecido. Onde ficou sua indignação? Onde ficou os movimentos nas ruas?
Temos que desejar o contrário. Comer maçã na hora que dá vontade. Mesmo lembrando que a maçã é um símbolo. Coma o símbolo. Jogue fora os relógios, apague os alarmes, deixe de lado seu celular por algum momento. Não seja empregado nem patrão. Não limite seu ir e vir. Navegar é preciso, mesmo não tendo o barco. A verdadeira felicidade é a paz dentro de sua casa. Recomendaria duas ou três casas, mas tendo uma já é um começo.

Venda sua chácara em estado de sítio. Se você concorda com o trabalho escravo, você ainda precisará de muito tempo para sua elevação espiritual, e paz não será seu objetivo, mas de qualquer forma, faça sua parte começando uma nova história e mostre sua indignação de alguma forma. Se você é contrário, ajude nas pequenas ações e lute sempre. Sempre.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Chores por mim

Nada contra as grandes reportagens de atentados que dizimam dezenas de pessoas, como no caso do atirador solitário nos Estados Unidos. Mas não posso deixar de pensar o quanto a sociedade é seletiva e somos obrigados a sentir pena, apenas de nossos colonizadores e seus aliados. Essa mesma sociedade que escolhe quem se comover ou não. Me vem a imagem nesse momento do filme Laranja mecânica, de Stanley Kubrick. Nele, é apresentado a tentativa de reabilitação através do condicionamento psicológico. E agora, imagino uma grande turba, sendo recondicionada a ver e concordar com apenas com o que está sendo vendida para eles.
Esse preambulo todo para dizer o quanto quase 300 mortos na Somália, não mereceu nota em algum jornal, transmissões ao vivo, discussão com especialistas ou espaço para discussão sobre os rumos da explosão de violência por grupos terroristas e seus desdobramentos. Nada. Você percebe o quanto você nem se importa com isso, desde que não seja em Londres ou Paris? Na época dos milhares de imigrantes invadindo a Europa fugindo das guerras e como foram tratados e estão sendo nesse momento, não levou a lágrimas sequer da imprensa ocidental. Não nos movemos nem ao mesmo em apoio pessoal nas redes sociais, mostrando não só essa seleção, mas no mínimo, empatia com a tragédia por outros seres humanos. Nada.
Muitos até podem muito bem dizer que atentado na África é todos os dias, com fome, pobreza extrema, guerra civil, extermínio entre outros interesses econômicos, daí seu desinteresse por parte da imprensa no país. África não dá audiência nem gera comoção. Ela sofre em silêncio sempre! Que tipo de seres que dizemos ser que pede ajuda ao próximo e se diz religioso, quando não abraça qualquer irmão sem ver raça ou credo? A cada ser humano morto corresponde uma biografia, uma história. Ao contrário do atentado nos EUA, que morreram dezenas de pessoas porque o caçador acertou o tiro em uma população branca, a razão para não se emocionarem com a população afro parece complicada, mas é simples: Seletividade.
Até o momento, a única demonstração de solidariedade internacional foi de Paris, onde a Torre Eiffel foi desligada em respeito ao acontecido. É o bastante? Está longe. Muito longe. Precisamos de Je Suis Mogadishu! Meu coração se parte e nenhuma celebridade internacional fala sobre isso, nenhuma nota é divulgada e não é possível ter a notícia comentada nas redes sociais. Daí você entende por que a extrema direita está crescendo pelo mundo, com sua intolerância e por vezes não se importando com a dor dos mais fracos e oprimidos, pelo contrário até querendo que dizimem todos do continente. Não se esqueçam: Toda vida é importante.
Por outro lado, é preciso coragem e sangue frio para abater a pobreza no país. A Somália está envolta em uma crise política sem precedentes, com a milícia Al Shabaab, um grupo islâmico ligado à rede terrorista Al Qaeda, que costuma escolher seus alvos em Mogadíscio, está envolvida no atentado e em guerra direta aos grupos que tentam controlar o poder, onde desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi destituído e deixou o país sem governo. As secas agravam a fome neste local que já foi considerado o país mais pobres do mundo. Porque tanto interesse em dizimar um país e que ele não apareça nas grandes mídias? Itália, França e Reino Unido sempre disputaram o pais pela sua importância estratégica e comercial. O porto mais próximo da Índia e parte da Ásia. Haviam Sultões e era um país próspero, mas os interesses comerciais estavam acima da população, que sempre resistiu com levantes constantes a usurpação de suas riquezas e dominação. Atualmente a guerra civil para o controle do país está dizimando o que resta da já castigada nação.   
Por um mundo onde possamos realmente conviver com o próximo, com amor no coração, respeitando o ser humano é que eu peço nesse momento:

Solidariedade às vítimas na Somália.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Encontro Biblio Idéias: Como viver de arte - palestra de André Barroso





Momentos do encontro no Biblio Idéias, na palestra: Como viver de arte - com André Barroso